eu ando com uma certa vergonha das coisas que eu tenho vontade de dizer, então acho melhor ficar quieta por um tempo.
…and when there’s nothing to gain, or bring me pain,
or pin the blame on you or myself
and when they finally fall, these wailing walls and burdened crosses,
god’s twilights and alloh, how i’ll feel like a beautiful child,
such a beautiful child again…[rufus wainwright - beautiful child]
jekyll e hyde
será que estou gradativamente virando uma pessoa que não faz mais do que crescer cabelos (pior ainda, cabelos do tipo que pouco valem no mercado)?
estatística
tenho certeza que eu faço mais coisas erradas que a média mundial. isso pra não falar das coisas que fazem com que eu goste de mim ainda menos.
irracional
velho, será que só eu não vejo muita graça no tim maia racional? dando uma busca no soulseek pra pegar os hits que faltam na minha coleção, praticamente só encontro esses discos. se o próprio tim maia, no auge da sobriedade, percebeu que esse negócio de universo em desencanto e sei lá o quê não dava certo, por que os outros insistem?
se é racional, eu prefiro segurar a criança.
2000
às vezes é bom ser assim, reclusa. me poupa de ter que explicar aos outros coisas sobre mim que nem eu mesma gostaria de saber.
da série infinita: eu odeio
gente que escolhe toque de celular em coletivos
gente que usa a função alto-falante do celular e fica ouvindo música em coletivos (e claro que nunca é uma música razoável).
aliás, acho que odeio celulares e coletivos.
match in the gas tank
a sensação de ser menos que os outros me dá vontade de explodir. a mim e aos outros.
espero não continuar por muito tempo nessa de achar que o mundo só faz me dar rasteiras.
eu, desequilibrada e desanimada, ando achando cada vez mais difícil levantar.
cansei, aliás.
minha vida me ultrapassa
em qualquer rota que eu faça.[os mutantes - 2001]
em 30/05/2007
a diferença entre nós dois é que enquanto você toma pedaços dos outros pra se aproximar deles, eu tomo pedaços dos outros porque não me basto. é a mesma diferença entre um mosaico e um monte de cacos.
eu muito freqüentemente tenho sonhos que são para mim como tapas na cara. o dessa noite foi muito simples e pareceria inofensivo se eu o contasse a alguém (exceto…), mas só eu sei como foi perturbador. fui posta de frente com uma de minhas fraquezas, justamente a que mais me incomoda atualmente, da forma mais filha da puta possível. foi só um sonho e mesmo nele não houve nada que alguém pudesse classificar como uma chegada às vias de fato. mas nem precisou. no sonho eu me sentia bem sendo uma completa sacana, o que foi suficiente para que eu acordasse me sentindo culpada, me sentindo mais próxima daquelas pessoas que eu tanto condeno, daquelas que sempre me levam a pensar que o mundo está perdido.
agora vou ali com a minha crise de consciência cuidar da vida e já volto.
do subterrâneo
(…) [C]oncluímos que os livros de Graciliano Ramos se concatenam num sistema literário pessimista. Meninos, rapazes, homens, mulheres; pobres, ricos, miseráveis; inteligentes, cultos, ignorantes - todos obedecem a uma fatalidade cega e má. Vontade obscura de viver, mais forte nuns que noutros, que os leva a caminhos pré-traçados pelo peso do meio social, físico, doméstico. A vida é um mecanismo de negaças em que procuramos atenuar o peso inevitável dessas fatalidades: e parecemos ridículos, maus, inconseqüentes. Às vezes somos fortes e pensamos esmagar a vida; na realidade, esmagamos apenas os outros homens e acabamos esmagados por ela. Nada tem sentido, porque no fundo de tudo há uma semente corruptora, que contamina os atos e os desvirtua em meras aparências.
CANDIDO, Antonio. “Ficção e confissão” in Ficção e Confissão - Ensaios sobre Graciliano Ramos. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1992.
por essas e outras que Graciliano é minha alma gêmea. merece até a letra maiúscula.
[quem sabe agora eu comece a postar as referências completas das citações…]
feito mistério
faltou tudo. coragem, fumaça, ânimo, esfarrapar mais as roupas, madrugadas, conflitos, falar para fora, sair do quarto, criar vergonha na cara. e agora falta mais ainda e tudo se tornou um milhão de vezes mais difícil de conseguir. e quanto mais falta, mais medo [medo, aliás, descreve perfeitamente meus últimos meses].
é chato ser uma pessoa de vinte e poucos anos que já não espera muita coisa da vida…
quem reclama que eu falo pouco não faz idéia do que acontece quando eu abro a boca.
pondo em perspectiva
mary wants to be a superwoman
but is that really in her head?
but i just want to live each day to love her
for what she ismary wants to be another movie star
but is that really in her mind?
and all the things she wants to be
she needs to leave behindvery well
i believe i know you very well
wish that you knew me too very well
and i think i can deal with
everything going through your headbut mary wants to be a superwoman
and try to boss the bull around
but does she really think that she will get by with a dream?my woman want to be a superwoman
and i just had to say good-bye
because i can’t spend all my hours
start to cry[…]
wery well
and i think i can face very well
wish you knew me like i know you, very well
and i think i can cope with
everything going through your head[stevie wonder - superwoman]
autofobia
rascunho de 06/04/2008. não li para evitar arrependimentos (chega disso, por favor!).
coisas ruins me perseguem na rua, em casa, se escondem embaixo da minha cama (às vezes babando), aparecem nos sonhos, se esfregam na minha cara nos fatos, me incomodam nos livros, grudam atrás nas minhas pálpebras, se disfarçam nas letras e nas melodias, impregnam minhas roupas e me atormentam até eu dizer “chega”. mas nunca chega. nunca chega…
desafiando minha incredulidade, coisas boas sobrevivem (e vivem, até). mas alguma coisa impede que as tais coisas boas se transformem em algum tipo de alento.
here i stand, sad and free
i can’t cry and i can’t see
what i’ve done
oh god, what have i done?[ben folds five - evaporated]
da série “pílulas”, parte III
fazer o bem pra expiar a culpa é de fato fazer o bem?
edit: ok, não tão pílula assim.
é óbvio que o tempo passa, as pessoas vão embora e as coisas mudam. todo mundo sabe. o problema é que isso tem me deixado exageradamente aflita. eis que hoje eu resolvo fazer algo com isso em mente, algo que é bom para outra pessoa, de quem eu gosto muito e que me agradeceu pela iniciativa. ótimo, se eu não tivesse me sentido um lixo ao lembrar dos meus motivos não nobres para fazer isso, sendo o principal deles o medo (sempre ele…). em suma, o que era para melhorar, piorou.
q
eu sou sumariamente ignorada até na internet! mágico.
da série “pílulas”, parte II
não ando íntima nem de mim.
mãe diná
qualquer dia desses morro afogada no despeito.
15/05/08, madrugada
dormir anda difícil. deito a cabeça no travesseiro e só me ocorrem pensamentos ruins. tento então pensar em coisas que não chateiem: me agarro a lembranças desimportantes e pouco comprometedoras, para não piorar a situação. a barra puída do uniforme escolar, o esconderijo debaixo da cama, o gosto do café do cursinho, a primeira vez que eu ouvi esta ou aquela música. a verdade é que mesmo essas miudezas já foram tão repensadas e repisadas por mim que já não lembro mais delas: são puras racionalizações, que podiam muito bem ser de outra pessoa. não há mais nada de meu ali. eu já não lembro da sensação que tinha ao chegar antes na sala de aula vazia, de ir pisando nas tábuas que rangiam, de sentar no tablado para tomar um pouco de sol. eu não lembro, eu sei. minhas miudezas não têm mais coração. tudo o que eu faço é sentir medo porque essas miudezas vão se esvaindo comigo e eu não sei dizer quem acaba antes.
a cabeça pesa no travesseiro e continua sem dormir.
18/04/08, madrugada
já faz algum tempo que eu me privei (ou devo dizer que voltei a me privar?) do direito de ser sincera. tudo tem sido dito e vivido pela metade ou menos que isso. tenho habitado os subterrâneos (sem pretensões dostoievskianas, por favor) e me sujeitado a todo tipo de humilhação, às vezes vinda de mim mesma, por pura falta de vontade de sair dessa inércia. e continuo alimentando a idéia que me acompanha desde criança: lá no começo de tudo um segredo foi contado aos outros e não a mim. desde então, estou sempre um passo atrás, por fora do que acontece, incapaz de me integrar com o que/quem quer que seja - isso explicaria perfeitamente meu atraso real na vida, meus 22 anos que poderiam em muitos sentidos passar por 14 (exceto pela capacidade de alimentar esperanças que eu tinha aos 14 anos e que me garantia uma certa vitalidade, aquela coisa idiota do brilho no olhar). fui privada e me privei de tantas coisas que é difícil acreditar numa retomada ou em uma vida normal em qualquer tempo.
nada pior do que a sensação de ter sido esquecida ou abandonada.
porque eu odeio a humanidade
depois das 21h você pode expor quem você quiser a situações degradantes.
never have i loved since then

embaçada? eu chamo de artística
uma semana de rufus, tô me sentindo uma viúva.
pega aí:
rufus wainwright - the art teacher
+
rufus wainwright - beautiful child
rufus wainwright - across the universe
essas não foram tocadas no show, mas já que estavam no servidor…
impressionante como uma sexta-feira pode ser ao mesmo tempo tão parecida e tão diferente da outra.
o que fode de verdade é não ter dinheiro pra me dar um presente de consolação.
dois momentos
cena 1: onze horas da manhã, ponto de ônibus no centro da cidade. três garotos berram e correm pela avenida, cada um com um saquinho de cola nas mãos. os transeuntes apertam com mais força suas bolsas e mochilas e fingem não ver nada.
cena 2: onze horas da noite, ponto de ônibus na periferia da cidade. um camelô tem sua barraquinha de bijuterias destruída pelos cacetetes de agentes do metrô e policiais. ele chora e corre para longe. uma mulher aproveita a confusão para roubar alguns brincos.
e aí, fazer o quê?
separados no nascimento 2
título alternativo: morreu minha filha, sentimos muito, etc.
pausa, antes que isso aqui vire uma putaria.
