03.07.09

combat, baby.

eu preciso gritar.

sem fantasia

minha vida, como a de todo mundo, ou quase todo mundo, tem sido uma sequência de frustrações, uma atrás da outra, uma por segundo. ainda estou tentando entender o motivo, mas a mais recente caída na real tem doído mais do que eu esperava. na verdade, tem sido torturante. acho que o problema é que, dessa vez, eu não consigo esperar que as coisas melhorem depois. em segredo (ou às vezes nem isso), eu sempre esperei um milagre. parecia que as coisas que eu fazia no fundo não eram nada, porque magicamente tudo iria se acertar no futuro. só que o futuro chegou, e chegou do avesso. todo errado. a minha confiança de que eventualmente tudo ficaria bem parece que ficou pelo caminho. não sei se é porque agora as coisas são reais demais ou ruins demais, mas como os métodos comuns e racionais têm se mostrado de pouca serventia, a perspectiva nula de que algo bom aconteça espontaneamente torna tudo mais difícil de aguentar.
sei lá. não sei se estou fazendo sentido. pensar no assunto não ajuda nada, quanto mais escrever sobre ele.

27.06.09

michael jackson (1958-2009)


ai que fofura!

pois é, lá se foi um personagem importante da minha infância (and beyond). engraçado, porque ele nunca realmente teve uma. é triste pensar como um cara super talentoso e que fez o sucesso que fez ao longo da vida tenha morrido desse jeito meio deprimente. sempre achei e vou continuar achando que muitas das coisas que ele fez e que acabaram fazendo com que ele ganhasse fama de maluco (para não dizer outras coisas) na verdade se explicam pelo fato de ele nunca ter tido a chance de ser feliz - por ter começado a trabalhar cedo, por ter sofrido nas mãos do pai, por todo tipo de coisa que se falava dele, enfim. acho triste e vou sempre lamentar o fato de que uma pessoa da importância dele tenha vivido e morrido obviamente triste e sozinho. isso acontece com muita gente, fato, mas é uma pena que um cara que tenha marcado toda uma geração não tenha conseguido escapar disso. faz pensar como a mídia (uhu, conspiração) constrói e destrói seus ídolos, esquecendo que por trás deles há pessoas iguais a todas as outras do mundo.
só espero que no futuro a imagem que tenhamos dele seja a do showman, não a do freak. ele merece.

faz tempo que eu tenho um post rascunhado aqui no blog do tipo “michael jackson para iniciantes”, quem sabe agora eu consiga terminá-lo.

edit: “if even a small portion of the praise that is bestowed on michael jackson now in death was given to him last year, in life, he might well still be with us.” (robin gibb, dos bee gees)

12.06.09

flor da pele

posso ainda não ter conseguido perceber as vantagens de ser sozinha, mas ando vendo bem as desvantagens de não ser.

[não, isso não é um post de dia dos namorados]

09.06.09

vida bandida

essa greve toda só me lembra porque eu não vejo a hora de sair da usp. e como a vida é cheia de ironias, a greve está dificultando meu processo de saída.

07.06.09

junho

em tempos de excesso de obrigações, meu poucos e pequenos prazeres estão ficando menores e ainda mais raros. ainda mais considerando que minhas horas livres têm sido cada vez mais horas de ócio absoluto, me faltando forças até mesmo para fazer aquelas coisas que são importantes mas não tão importantes a ponto de serem feitas antes de outras coisas.
talvez isso seja uma boa coisa, para uma pessoa tão pessimista e descontente como eu. me obriga a tirar leite de pedra para conseguir achar algo de bom na infinidade de coisas chatas que eu tenho que fazer. ou tentar aproveitar ao máximo aquele milésimo de segundo em que me ocorre um pensamento - ou mais difícil ainda, uma lembrança - agradável que faz aparecer algo vagamente parecido com um sorriso na minha cara.
não sei dizer se a vida anda tão ruim assim. sei que anda muito real, até demais. falta um pouco de fantasia, que eu brigo para achar quando o sol bate de um certo jeito ou quando vejo um cachorro fazendo algo engraçado. só tenho medo de que a vida seja assim mesmo, me obrigando a ficar só com essas migalhas de alegria aqui e acolá. meu único neurônio otimista teima em esperar que a vida não seja tão má assim. os outros já estão há tempo demais no marasmo e não conhecem outra coisa que não seja esse apertar diário de parafusos.

24.05.09

q

da folha online:

Em sua página no Twitter, o governador de São Paulo José Serra publicou, na última quarta-feira: “Madrugada de trabalho ao som dos Beatles. Lembrei da boa versão de ‘Across the Universe’, de Rufus Wainwright. Ouvi na peça ‘Liz’, dos Satyros”.

1. o serra tem um twitter.
2. e sabe quem é rufus wainwright.

mais uma vez, me faltam palavras.

23.05.09

almoço: 11h30
jantar: 0h30

tem coisas que só minha vida faz por mim.

17.05.09

falando em coisas e pessoas velhas,

hoje me caiu a ficha de que livin’ la vida loca. foi lançada há dez anos. DEZ ANOS. ainda bem que eu pareço ter 14 anos, no máximo.

16.05.09

dos fantasmas

eu estou um pouco cansada de coisas que nunca terminam. é bem possível que as coisas só realmente terminem na ficção ou com a morte (o que de qualquer forma é relativo, tanto do ponto de vista emocional quanto do ponto de vista físico-químico, sei lá), mas será possível que as coisas voltem assim, depois de anos, mesmo quando pareciam ter acabado? e geralmente não são as coisas boas que voltam - claro, porque as boas no máximo são esquecidas, nunca enterradas. mas as ruins… e é difícil perceber se os piores fantasmas são os que tomam forma de pensamentos, acontecimentos ou pessoas. são todos igualmente inevitáveis e inconvenientes, acho. a diferença das pessoas em relação aos demais é que elas podem se incomodar ao saber onde é que você realmente queria que elas ficassem, o que cria um enorme potencial pra que tudo piore ainda mais.
o problema todo é que os fantasmas vão se acumulando, nunca vão embora. e eu ainda não descobri uma boa tática de exorcismo.

09.05.09

adventures in solitude

acho que, no fim das contas, um blog é só um modo mais moderno de falar com as paredes.

07.05.09

vida, minha vida.

é muito esforço para pouco resultado.

05.05.09

rema

tanta lágrima,
tanta lágrima y yo
soy un vaso vacío.

[jorge drexler - al otro lado del rio]

03.05.09

virada de quê?

fui à virada cultural ontem e achei melhor do que ano passado. as atrações, no geral, não eram tão interessantes quanto as do ano anterior, mas em compensação (e talvez justamente por isso) os palcos estavam menos cheios e a circulação estava mais fácil do que ano passado, quando era muito difícil andar de um show a outro ou mesmo mudar de posição durante um show. de resto, as coisas de sempre: gente bêbada, sujeira e tudo mais (ainda mais porque esse ano tinha um palco chamado “toca raul” - mais chamariz de maluco, impossível). coisas que são normais até certo ponto num evento desse porte, a meu ver. aí hoje me vem o feltrin dizendo que houve cenas de “escatologia e horror” durante a virada. peraí. eu não fiquei durante o evento todo (enquanto eu estou aqui ainda tem shows e exposições acontecendo pela cidade), mas duvido que o que quer que tenha acontecido justifique o uso desses termos e, independentemente disso, tenha sido diferente de qualquer outro evento cultural, pago ou não. sim, ainda há muito o que fazer em termos de estrutura e organização, mas acho louvável o esforço da prefeitura de continuar realizando a virada, com mudanças a cada ano. acho também que a virada cultural simboliza bem uma das coisas que eu gosto em são paulo, que é esse grande leque de coisas a se ver e fazer e de lugares a se visitar (que é o que eu mais gosto de fazer na virada: andar pela cidade à noite, vendo com outros olhos aquilo que a gente costuma deixar batido na correria dos outros dias). resumidamente, acho que a virada merece aplausos e deve continuar, mesmo com todos os problemas.

eis que na matéria da folha que eu linkei acima li os seguintes comentários:

[F]ica a sensação que 24 horas é muito para uma população “sem cultura” […].
(Clau Fer).

[I]nfelizmente, as cenas que eu vi me levaram a triste constatação de que SP não suporta eventos deste tipo. Digo até que pessoas como aquelas não merecem a oportunidade de participar de um evento desse tipo.
(juliana pires)

Enquanto as pessoas não souberem se comportar como humanos esse tipo de evento deveria ser cortado.
(Carolina Prazeres Goncalves de Castilho)

Uma pena que uma grande parcela do povo brasileiro não tenha a educação necessária para merecer um evento assim grandioso… É verdade que não se deve dar pérolas aos porcos…
(Linda Dias)

sério? sério MESMO? o problema da virada cultural é o “povo” (não a organização, o policiamento, etc…)? e a solução é não fazer o evento porque o “povo” NÃO MERECE? claro, é ridículo que todo ano a cidade vire um banheiro a céu aberto durante a virada, mas a solução é acabar com a virada? ou melhor ainda, deixar de fora os “mau educados” e só permitir que frequentem a virada os cultos, comportados e que, por um acaso, provavelmente poderiam pagar para ver esses shows e exposições em outros lugares, ao contrário dos “mau educados”, para quem a virada é uma oportunidade única (por mais que não aproveitada às vezes) nesse sentido? o buraco do vandalismo é muito mais embaixo e todo mundo sabe disso (aliás, a mesma prefeitura que organiza a virada me parece não tomar medidas reais pra resolver essas coisas), então não me venham com essa de que a culpa é dos vândalos e “ai que medo dessa gente, nunca mais vou à virada!”. o azar - e a hipocrisia classe-média - é de vocês.

30.04.09

pega ladrão

alguém segura meu azar que ele está fora de controle.
aliás, só acreditando em azar para manter alguma sanidade, porque…

28.04.09

da série: consumismo

preciso comprar um saco de pancada urgentemente.

22.04.09

a vida tem me chamado à realidade faz um bom tempo já, mas só agora eu fui obrigada a ceder. estou correndo atrás, como se diz por aí. e por mais que às vezes sobre tempo, nunca realmente sobra tempo, motivo pelo qual me pego pensando nas coisas em termos muito simplórios, simplórios demais. tanto que em dois ou três passos eu já me vejo sem saída, desesperada. entrar em uma crise nunca foi tão fácil. um saco. para além da auto-ajuda, existe burrice emocional? porque é desse mal que eu ando padecendo.
o pior é que no meio disso tudo eu ando com uma dificuldade enorme para não levar as coisas a sério demais. do ônibus que eu perco (que me faz passar tanto nervoso que ainda vai me dar um problema cardíaco) aos preconceitos sofridos todos os dias, direta e indiretamente, tudo virou questão de honra, tudo virou problema. e é muito possível que seja mesmo, mas são tantos moinhos e tão pouco dom quixote por essas bandas que fica difícil carregar todo esse peso. e viver assim sobressaltada o tempo todo cansa muito, demais. se tem uma coisa que as pessoas dizem e que me irrita desde o início dos tempos é o bom e velho “relaxa!” (porque falar isso super resolve qualquer coisa, né?), mas é bem isso mesmo que anda me faltando. todos nós sabemos que quando a vida quer ser uma merda, ela é (e com força) e que tem muita, mas muita coisa errada por aí, mas fazer drama não só não me leva a lugar nenhum como tem tirado minhas forças, que têm muito mais o que fazer nesses últimos tempos.

21.04.09

el otro yo

é, definitivamente não ando lidando bem com essa coisa toda de ser humana e querer coisas contraditórias. definitivamente.

20.04.09

eu

tudo, como sempre, é uma tentativa de não ser esquecida, ou ainda de esquecer que estamos todos basicamente sozinhos. mas é difícil lidar com a sensação de fazer tudo errado o tempo todo, mesmo sabendo que ninguém está certo o tempo todo. queria muito saber quem traçou essa linha divisória que me isolou do lado de cá. fui eu? minha mãe? alguém que estudou comigo na quarta série? porque eu às vezes até acredito nisso de que não é possível alguém ser totalmente ruim, mas o que é que explica qualquer coisa de mim além disso? azar? eu deveria conseguir honestamente botar a culpa das coisas erradas do mundo nos grandes e intocáveis sistemas, do azar ao capitalismo, mas teimo em achar que tem o dedo de um indivíduo - em alguns casos específicos - em todas as merdas. na da minha vida, não preciso dizer quem é.
de repente é possível que eu seja irremediavelmente desanimada, sem mais explicações. o que será mais difícil aceitar, o azar infinito ou a personalidade torta?

minha comadre,
mande essa tristeza embora
minha comadre,
mande essa tristeza embora

ela está lhe desgastando e atrapalhando a sua vida
tirando o sonho do seu sono e até o gosto da comida
abra a porta e bota fora e acenda o defumador
se a tristeza é macumbeira, manda lá pra salvador*,
minha comadre…

se pintar dona saudade, mande a saudade pra cucuia
não deu pra afogar no copo, afunde a danada na cuia
só não faça corpo mole, tem que ser madeira pura
se a tristeza é brasileira, manda lá pra cingapura
minha comadre…

se é do rio de janeiro
manda pra juiz de fora
(manda essa tristeza embora,
manda essa tristeza embora)

se ela está na sua mesa,
vire a mesa logo agora
(manda essa tristeza embora,
manda essa tristeza embora)

se a tristeza é seu cavalo,
mete nele a espora
minha comadre…

[martinho da vila - minha comadre]

* ok, não entremos nesse mérito agora…

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