seria engraçado, se fosse com outra pessoa.
seria bonito, até. eu daria um meio sorriso e faria comentários espirituosos. apagaria o cigarro e ela iria embora com a fumaça. eu diria seu nome aos conhecidos, pra que alguma coisa dela sobrasse. talvez ela tentasse fazer algum sinal, ao longe, mas ele se perderia junto com tantas outras coisas que eu já esqueci. passariam os dias e ela estaria sempre lá, esperando que alguém viesse buscá-la - e só eu poderia buscá-la. eu seria, pela primeira vez, superior (talvez até deixasse de achar que preciso dela).
ou talvez nós fizéssemos tudo diferente: eu seria cria dela, e não o contrário. ela escreveria sobre mim, sentindo um pouco de pena. os conhecidos, os comentários, os dias - seriam todos dela, e não meus. eu não sentiria falta de mim. nem eu, nem ninguém.
a sorte é preciso tirar pra ter. acabou.
