rémy: ainda não posso aceitar isso.
nathalie: você sabe que tem que aceitar.
rémy: não posso aceitar.
nathalie: mas é assim. é uma lei. no mesmo instante em que você fechar seus olhos, milhões também morrerão.
rémy: mas não estarei mais aqui. eu. eu terei ido para sempre. se pelo menos eu tivesse aprendido alguma coisa. me sinto como abandonado no dia em que nasci. não encontrei sentido algum. é isso. tenho que procurar. e tenho que continuar procurando.
les invasions barbares
escolher título é realmente chato
hoje eu mandei um recado pra um amigo. um amigo que não vejo há tempos e com quem sempre tive uma relação esquisita. esquisita porque sempre foi unilateral, às vezes da minha parte, às vezes da parte dele. nos últimos tempos, da minha parte.
na verdade, mandei o recado porque uma coisa minha está com ele, e minha desilusão com essa amizade nos últimos tempos (anos, pra ser mais precisa) tem sido tão grande que tudo o que eu quis durante muito tempo foi pegar a tal coisa de volta e esquecer que ele existe.
mas dessa vez eu estava desarmada. mandei o recado sem pedras na mão, convidei pra uma conversa e pra, quem sabe, deixar as mágoas bestas de lado. eu estava disposta, sinceramente.
ele não respondeu.
moral da história 1: parece que a indiferença continua passando a temporada atual do lado de lá.
moral da história 2: tem coisa que não muda.
moral da história 3: domingo é uma bosta e ponto final.
insustentável
“A vertigem não é o medo de cair (…). É a voz do vazio embaixo de nós, que nos atrai e nos envolve, é o desejo da queda do qual logo nos defendemos aterrorizados (…). É a embriaguez causada pela nossa própria fraqueza.”
KUNDERA, Milan. A Insustentável Leveza do Ser.
sem título
queria entender como é que isso acontece. eu estou na minha, tranqüila, sossegada. de repente, não sei de onde, vem um tapão metafísico (essa explicação tonta foi a única que me ocorreu) e me desnorteia daquele jeito de sempre. e eu sinto fisicamente, sabe? como se fosse uma punição do corpo por eu me sentir mentalmente estranha. como eu já tentei dizer antes, é uma sensação que chega, se espalha e me incomoda até que eu me renda. escrevendo, dormindo, chorando. ou tudo ao mesmo tempo.
[é importante ressaltar que beber não é um bom jeito de fazer isso passar. demorei, mas aprendi]
são as borboletas no estômago. não as borboletas boas, infelizmente.
p.s. eu realmente preciso aprender a escrever quando eu estou me sentindo bem. eu não sou sempre assim, às vezes eu sou legal. acredite.
aleatório n.º 01
eu estava com saudades de ouvir franz ferdinand!
fight club & whatnot
esse é do myspace. na verdade, é de qualquer lugar: era um negócio que eu queria dar um jeito de falar mas não queria que muita gente visse. maluca, eu sei.
i watched fight club again today. there’s no way for me to deny it, it’s one of my favorite movies of all time. but it took me a while to realize the reason. it wasn’t merely for the plot (i really want to read the book, by the way), for the amazing acting (even brad pitt does a great job) or anything. i had to watch it ten thousand times to realize that i like it because i related. i’m the narrator. i wish i had a different face, a different body, different manners, a different life. and i can’t stop it either. no, i’m not schizophrenic (yet), but i totally have in my mind the contours of the person i wish i was. someone that is the opposite of me in so many levels, someone who i like better than i like myself, even though i try to deny it.
bad thing is, recently i got to know of the existence of a person that is just what i want to be. knowing that the idealized girl i had in my mind actually exists (and, most likely, is having all the fun i’m not) crushes me. my own personal tyler durden, who knew?
inglês sofrível.
true love waits
estou achando várias coisas perdidas que eu escrevi faz tempo (ou nem tanto).
bom pra ver que a situação já não está tão grave. pelo menos não nesse exato segundo.
ver o tempo passar. é tudo o que eu tenho feito.
não vendo o filme que eu quero ver desde sempre. não conseguindo ler mais de duas linhas sem me perder em pensamentos imbecis. ouvindo músicas conhecidas e músicas desconhecidas, com reações idênticas. esperando três ou quatro frases diárias ou nem isso. a 100km e muitos dias de distância. dormindo e acordando. provavelmente de tpm. chorando todo dia, de novo.i’m not living, i’m just killing time.
[radiohead - true love waits]
em dez de dezembro
originalmente escrito para o inspiração.
tudo pensado, planejado, milimetricamente organizado. nenhum pensamento fora do lugar. foi assim durante uns bons anos e eu nunca soube nem precisei saber outro jeito de levar a vida. estava tudo dando certo até aquele dia em que aconteceu algo que eu não me lembro muito bem o que foi, mesmo porque não era importante. o que importa é que alguma coisa saiu do lugar - ou pior ainda, voltou para o lugar - na minha cabeça e eu nunca mais me reconheci.
depois daquilo, já não fazem diferença a casa, o marido, os filhos, o trabalho, o chopp às sextas-feiras com os amigos semi-desconhecidos e o encontro quase semanal com o amante: essa angústia sempre acaba me pegando lá pelo penúltimo cigarro do maço. e a cada dia o último cigarro fica mais doloroso de ser fumado.eu só preciso continuar seguindo o fluxo e tudo vai acabar voltando ao normal.
eu acho.
serviço de atendimento ao cliente
querida pessoa responsável pelo timing das coisas e pessoas da minha vida:
gostaria de dizer que percebo que você vem realizando seu serviço em silêncio há tempos. agradeço o esforço. no entanto, preciso dizer que sua recente associação com murphy tem me desagradado deveras. jogar empregos no meu colo depois que eu demorei anos pra conseguir o atual, me arranjar um namorado quando eu decidi ficar solteira para sempre (ok, não tô reclamando) e me fazer levar um ano para interagir com seres humanos na faculdade foram, definitivamente, as cerejas do bolo.
em suma, você está demitido(a).
desculpe qualquer coisa.
cordialmente,
carolina.
jardins verdes
às vezes dói tanto que parece melhor deixar de lado o que contraria e seguir o fluxo do resto. com mais calma, dá pra perceber que, apesar de tudo, ser vaquinha de presépio dói ainda mais. não na hora, claro - dói depois, quando se percebe que o caminho estável e seguro era, na verdade, um não-caminho.
subsolo
“I swear, gentlemen, that to be too conscious is an illness — a real thorough-going illness.”
DOSTOIEVSKI, Fiodor. Notes From The Underground.
também conhecido como memórias do subsolo. em inglês a citação me parece mais legal, não sei.
shoplifter, os restos (finale)
“please be kind if i’m a mess” (16/01/07)
sempre um ou muitos passos atrás. alguém me explica por quê?
eu tento, mas parece que não dá mesmo pra ganhar. ok, admito a derrota: eu sou sem graça e não tem nada que eu possa fazer, você vai sempre ganhar de mim, mesmo sem saber. pronto. vamos ver se agora eu esqueço essa história toda.só queria acelerar os dias até 26 de fevereiro, pra voltarem as aulas e eu ter coisas melhores sobre as quais reclamar. ter tanto tempo livre pra passar sozinha nunca me fez bem, mas parece que o potencial de criação de caraminholas dessas férias está muito maior.
everything it seems i like’s a little bit stronger
a little bit thicker
a little bit harmful for me
(…)
and then theres those other things
which for several reasons we won’t mention
everything about them is a little bit stranger, a little bit harder
a little bit deadlyit’s not very smart
tends to make one part
so brokenhearted*[*rufus wainwright - cigarettes and chocolate milk]
“faixa sete” (18/01/07)
you do it to yourself, you do
and that’s what really hurts
is that you do it to yourself
just you and no-one else*i do it to myself (edit: sempre).
[*radiohead - just]
shoplifter, os restos (pt. 3)
“i’m jack’s complete lack of surprise” (14/01/07)
são muitos os entraves. a preguiça, o tédio, a falta de inspiração e de prática formam o primeiro grupo delas. depois, tem o medo da exposição (de quê? pra quem?), do ridículo, do óbvio e do não-óbvio. temos ainda a questão do falso orgulho (que, na verdade, é uma vontade de expor todas as fraquezas pra ver se alguém consegue dar jeito nelas). tudo isso contribui pra que eu ande com uma dificuldade enorme de fazer qualquer coisa que me leve a pensar um pouco mais. e escrever é talvez a principal delas.
gostaria que, como era antes, eu simplesmente abrisse a agenda não usada dois anos atrás pra escrever sem maiores cuidados, simplesmente deixando as coisas saírem sem reservas - uma autopsicografia, por assim dizer. não resolvia nada, mas a sensação de ter externalizado aquelas coisas, mesmo que pra ninguém, sempre ajudava. parece que eu vou ter que arranjar outra coisa pra fazer.p.s. não sei se clube da luta é meu filme preferido (por muito tempo eu disse que era, mas agora…), mas com certeza mexe muito comigo. não importa quantas vezes eu veja. e viva o edward norton.
(esse é um resto privado, não revisado e não terminado)
“caring is creepy” (16/01/07)às vezes parece que a fraqueza vem de fora. ou que o estímulo pra que ela apareça vem de fora. e é como se viesse de todos os lados e acabasse por se concentrar em um lugar só. no estômago. na cabeça. no coração. o engraçado é que a sensação é física mesmo: o ar fica mais pesado e mais difícil de respirar, o estômago entra no modo primeiro-dia-de-aula, entre outros sintomas.
(…)
shoplifter, os restos (pt. 2)
“2006 revisited” (12/01/07)
vamos logo ao que interessa: descobertas musicais de 2006.
foi um ano musicalmente bem esquisito. deixei de lado a minha então banda preferida (los hermanos), passei uma boa parte do ano ouvindo só franz ferdinand até enjoar e depois entrei em uma fase bem beatles. depois fiquei louca e comecei a ouvir coisas aleatórias. foi bom, até! deu pra descobrir muita coisa bacana e ouvir muitas bandas que eu sempre quis ouvir e sempre esquecia de ir atrás.
acho que é uma boa hora pra uma listinha.coisas que passei a ouvir em 2006.
- the rolling stones: ok, não é exatamente uma novidade, eu sei. eu até já gostava de rolling stones antes, apesar sempre tomei o partido dos beatles naquela boa e velha picuinha. o fato deles terem vindo fazer aquele show no brasil no começo do ano certamente me influenciou a buscar conhecer músicas além de start me up. entrou rapidinho pro meu top 10 mais ouvidas (não digo preferidas porque aí já é forçar a barra);
[recomendo: let’s spend the night together, this place is empty, get off of my cloud]- camera obscura e belle & sebastian: não lembro se conheci em 2005 ou 2006, mas foi só recentemente que eu passei a gostar de verdade de camera obscura. mesma coisa vale pra b&s, tirando que eu já conhecia há muito mais tempo e já gostava de algumas poucas músicas;
[recomendo: if looks could kill, i need all the friends i can get (camera obscura), funny little frog, i don’t love anyone, if she wants me (belle & sebastian)]- placebo: antes eu não gostava, principalmente por causa da voz do brian molko. engraçado que eu também não gostava de smiths por causa da voz do morrissey, e hoje em dia eu ouço sempre. viciei de uma hora pra outra, sem maiores explicações.
[recomendo: protège moi, meds, summer’s gone, days before you came].- the magic numbers: banda fofa de musiquinhas fofas, não dá pra não gostar. não ouvi o disco novo com muita atenção.
[recomendo: long legs, which way to happy e a sensacional cover de take me out do franz ferdinand]- andrew bird e andrew bird’s bowl of fire: definitivamente a coisa mais legal que eu ouvi nos últimos tempos. definitivamente. músicas malucas e bonitas com violinos e letras viajantes. não preciso de mais nada nessa vida.
[recomendo: case in point, wait, why, two way action]essas são as coisas que eu acho que ainda vou ouvir em 2007. tem várias outras - the racounteurs, muse, jeff buckley, cake, sarah harmer, jamie cullum… mas as mais relevantes estão aí.
shoplifter, os restos.
“acho que não gosto de ter que escolher um título.” (10/01/07)
it’s not the earth beneath me
it’s just the concept of the land*.
(filosoficamente falando, talvez)me comprometi a fazer tantas coisas nessas férias que não tem nem graça. menos graça ainda tem saber que nenhum dos planos vai pra frente. pateticamente, a única coisa que eu consegui começar a fazer foi organizar minhas músicas. e arrumar minhas gavetas, vá lá. mas nada que mude a minha vida (talvez a vida das minhas roupas amarrotadas).
ok, 2008 está aí pra isso.
[*andrew bird’s bowl of fire - case in point]
“in between tonight and my tomorrows” (11/01/07)
honey, won’t you hold me tight
get me through grey gardens tonight*ando numa esquisitice sem tamanho. esquisitice, por falta de palavra melhor. não sei muito bem quando começou essa história, mas sei que há uns bons meses eu não me reconheço mais [ou talvez me reconheça demais, na menina de 16 anos - parece que 2001-2003 não acaba nunca]. aí fico feito barata tonta, sem saber voltar ao que era antes e sem gostar do que é agora. confuso, confuso.
com um pouco de sorte, eu descubro qual foi a peça que quebrou e aí é só alegria. até lá, aguardamos.[*rufus waiwright - grey gardens]
o nome desse blog
hey, what did you hear me say?
you know the difference it makes
what did you hear me say?yes, i said it’s fine before
but i don’t think so no more
i said it’s fine beforei’ve changed my mind
i take it backerase and rewind
‘cause i’ve been changing my mind
erase and rewind
‘cause i’ve been changing my mind
i’ve changed my mindso, where did you see me go?
it’s not the right way, you know
where did you see me go?no, it’s not that i don’t know
i just don’t want it to grow
it’s not that i don’t knowi’ve changed my mind
i take it backerase and rewind
‘cause i’ve been changing my mind
erase and rewind
‘cause i’ve been changing my minderase and rewind
‘cause i’ve been changing my mind
erase and rewind
‘cause i’ve been changing my minderase and rewind
erase and rewindi’ve changed my mind
[the cardigans - erase/rewind]
porque o desejo de apagar tudo e começar de novo nunca some.
