mente quieta.
espinha ereta.
coração tranqüilo.
mais metas para 2007
…
eu espero que a minha vontade de ser uma pessoa melhor já seja um passo nessa direção, porque eu não consigo pensar em nada substantivo que eu possa fazer.
ou ié
nesse exato segundo eu sou uma pessoa feliz.
com saudades, mas feliz.
taí uma coisa que ninguém nunca ouviu de mim, eu acho.
mas é.
=)
fico feliz de estar em plena crise da meia-idade agora aos vinte anos. pelo menos já estarei preparada para quando chegarem os cinqüenta.
[/ver as coisas pelo lado positivo]
…
essa música sempre me arranca um sorriso da cara, sempre. ponto para elas (música e rita).
e pensar que eu passei todo esse tempo
investindo no meu know-how
e pensar que eu quase me danei
apostando no meu backgroundando jururu
i don’t know what to do
quero me encontrar pelo caminho
um cogumelo de zebue descansar os meus olhos no pasto
descarregar esse mundo das costas
eu só quero fazer parte
do backing vocal
e cantar o tempo todo
shoobeedoodaudau…[rita lee - ando jururu]
interlúdio
gostaria de poder fazer algo que me aliviasse. já que não posso, fico aqui remoendo e repensando coisas já remoídas e já repensadas desde que o mundo é mundo.
sei que muitos dos meus problemas são culpa da falta de válvula de escape. e aí?
[credo, que coisa chata. ainda bem que as aulas estão para voltar]
fração
eu acho que estou mesmo tomando gosto de falar do meu umbigo, para variar um pouco. quem me conhece da internet deve achar isso meio contraditório, mas quem me conhece pessoalmente sabe que demonstrar sentimentos não é o meu forte. bom, bom.
esse aqui é um pedaço perdido, retirado diretamente do meu recém-(re)começado diário. odeio essa palavra, diário, mesmo porque ela não significa nada e não tem a ver com o propósito da coisa toda, mas na falta de outra melhor… o fato de ser só um pedaço é bastante apropriado ao tema, mas não proposital.
ele estava aqui como rascunho faz um tempão e eu tinha até desistido de postá-lo, mas estou lendo dois livros que, cada um à sua maneira (um é ficção e o outro é de sociologia), acabaram me remetendo ao que eu estava pensando na ocasião em que escrevi isso aí embaixo. na verdade, causaram umas reflexões bem mais avançadas, mas eu não anotei e a maior parte delas acabou se perdendo, claro.
(…) percebo agora que o problema de hoje, de ontem e talvez de sempre é que eu não me sinto uma pessoa completa, inteira ou o que quer que seja. a verdade é que eu preciso de muitos remendos e apoios (tão ou mais frágeis do que eu e, assim como eu, permanentemente ameaçando ruir) e que, no fundo, eu não sou mais que um punhado de remendos. não uma pessoa, mas uma pergunta. uma falta, uma ausência de coisas, de características - ou talvez de mim.
(…)
não que eu acredite que todas as [outras] pessoas sejam plenas, mas duvido que elas sejam assim, tão vazias. duvido que sejam feitas de cacos de qualquer coisa, juntados de um jeito que não é possível identificar nada de original ou mesmo saber de onde ou de quem os pequenos pedaços vieram. restos de várias coisas que, em conjunto, não são coisa nenhuma.
[omiti os trechos que eu achei embaraçosos demais]
e os livros acabaram me fazendo ver que: (a) eu não sou a única que precisa das pernas dos outros para conseguir andar e, para o meu espanto, também não sou a única que se desespera por não conseguir se esquivar disso e que não sabe diferenciar onde acaba o necessário e onde começa o prejudicial; (b) é muito possível que não seja uma coisa pessoal, individual. bem tonto e óbvio que eu, que faço ciências sociais, fique caçando o social em tudo. mas não fui eu não, viu? eu tendo a fazer teorias bem psicologizantes [de boteco, sempre] sobre isso, para falar a verdade. aí um dos livros quase que conseguiu me convencer de que a culpa é toda do capitalismo. sempre o capitalismo, né? danadinho.
bom, com ou sem embasamento teórico, eu continuo me achando um monte de coisa nenhuma.
desanuviando

esse rapaz aí em cima é o rufus wainwright. ouvi pela primeira vez em 2002, vendo o clipe de “california” na mtv (hoje em dia não imagino isso acontecendo. poxa, mtv, o que aconteceu com você?). é uma das poucas músicas que sobreviveu às mudanças de hd e de computador pelas quais eu passei de lá pra cá. ouvia sempre, mas nunca tive curiosidade de procurar outras músicas, até o dia em que eu assisti o aviador e o reconheci cantando em uma cena. baixei boa parte da discografia e temos sido felizes desde então. claro que se esse dia tivesse acontecido em uma época em que estivesse valendo o limite de transferência de megabytes do speedy, a história seria outra.
eu tinha me pretendido a fazer uma resenha ou coisa do tipo, mas minha falta de conhecimento técnico só me permite dizer que ele faz músicas que eu ouço e quero ouvir de novo. e de novo. e se der, mais uma vez. porque parece sempre uma coisa muito próxima, no melhor estilo conversa-pescada-no-ônibus-sem-querer. virtuose às vezes cansa, né? é bom poder ouvir coisas simples de vez em quando.
outra pergunta
essa definitivamente não quer calar:
por que pessoas que vão sassaricar por aí escondidas dos pais/namorados/etc. gostam de falar que saíram comigo? de todas as pessoas do mundo, justamente comigo?
me poupem, vai.
…
do you feel like a chain store
practically floored
one of many zeros
kicked down and boredyour ears are full but you’re empty
holding out your heart
to people who never really
care how you areso give me coffee and tv, easily
i’ve seen so much, i’m going blind
and i’m braindead virtually
sociability is hard enough for me
take me away from this big bad world
and agree to marry me
so we can start over againdo you go to the country
it isn’t very far
there’s people there who will hurt you
‘cause of who you areyour ears are full of their language
there’s wisdom there, you’re sure
till the words start slurring
and you can’t find the doorso give me coffee and tv, easily
i’ve seen so much, i’m going blind
and i’m braindead virtually
sociability is hard enough for me
take me away from this big bad world
and agree to marry me
so we can start over again[blur - coffee & tv]
num avião ou num trem veloz
sempre com a cabeça em um tempo e em um espaço que dificilmente são aqui e agora.
não sei porque eu (e não apenas eu, sei bem) me aflijo tanto com as possibilidades de algo acontecer ou não acontecer, de dar certo ou não. o grande problema é a aflição por coisas que podem não acontecer nunca ou por aquelas que inevitavelmente vão acontecer. ou pior ainda, por aquelas que são imprevisíveis e ponto. para o bem ou para o mal, não tem como pôr a vida em uma planilha e analisar os prospectos.
reflexo da falta que anda fazendo a capacidade de arriscar. uma pena, se você quiser saber o que eu acho.
1 referência ao poema “não sei dançar”, do livro libertinagem de manuel bandeira.
o título do post, por sua vez, é uma referência à música oh, what a world, de rufus wainwright.
metalinguagem
o cursor pisca. pisca. continua piscando.
não que eu seja pretensiosa o suficiente para me considerar uma escritora com bloqueio criativo. não sou escritora. escrevo, mas é só [isso quase não soou como um “oh, eu sou tão artística!”, né? imagina]. e faz tempo que não está saindo como eu gostaria. não estou nem falando de qualidade ou algo assim - mais uma vez, não tenho essa pretensão. é mais uma questão de não conseguir nunca falar o que eu quero. não sei se é falta de técnica, de vocabulário ou se é uma coisa do momento. só sei que eu tenho uma coisa na cabeça, que nunca é a mesma coisa depois de virar palavras (eu e a síndrome do texto-alien).
subvertendo o indefeso cazuza (nem sei se a letra é mesmo dele, mas…), eu gostaria deveras de poder transformar o tédio em melodia. ou em alguma outra coisa que eu possa compartilhar. porque comigo é assim: mais do que alegria, eu gosto de transmitir tédio e chatice para os amigos. ha.
mudando de assunto, sabe aquele amigo de quem eu falei faz um tempo? descobri o motivo dele ter ignorado meu recado. para explicar, vou ter que recorrer a uma sensacional expressão da língua inglesa: pussy whipped. pois é, trata-se de um clássico caso de cara que sai da barra da saia da mãe diretamente para a barra da saia da namorada. era a desculpa que me faltava para cortar relações de vez com o rapaz, sem culpa. só queria recuperar meus objetos tão estimados que ainda se encontram com o ser sem personalidade mencionado acima.
p.s. eu adoro a palavra metalinguagem.
asdaghjasd
eu odeio quando eu penso em alguma coisa, acho que vale a pena registrar a tal coisa de algum jeito e, quando eu posso fazê-lo, já não lembro nada do que tinha pensado.
não gosto de títulos, mas gosto de tópicos
- esse foi certamente um dos fins de semana mais aleatórios da minha vida. aleatório no sentido seinfeldiano da coisa;
- deveria ter menos preguiça de fuçar aqui e dar um jeito de pôr um layout meu. esse aqui é bacaninha, mas deu no saco e não fui eu que fiz;
- eu exagero. muito. muito mesmo. preciso parar;
- uma hora dessas eu vou ter uma overdose de andrew bird. alguém me salva, vai.
e com algum atraso, aí vai a lista quase terminada das minhas resoluções pra 2007 (não gosto de ter que fazer isso, mas parece que não vai ter jeito):
- não fugir de coisas/pessoas por medo;
- reclamar menos;
- ler mais livros;
- ser menos preguiçosa (essa é impossível, mas fica aí o registro de que eu sei que a preguiça é um defeito sério, por mais que eu goste dela);
- chorar menos (assim como a resolução acima, essa só existe pra constatar o óbvio).
esperem, pra dezembro, um relatório sobre meus progressos ao longo do ano. opa.
recordar é viver, pt. 2
diretamente de 18/04/06.
a timidez me ensinou a ser sucinta, e eu não gosto mais disso.
sempre fui muito cuidadosa, sempre tentei falar o máximo possível, usando o mínimo de palavras (o que talvez explique porque eu morro de amores pelo graciliano), fugindo de ambigüidades como o diabo da cruz. tinha medo de morrer de vergonha caso deixasse escapar alguma coisa que não tivesse sido meticulosamente pensada antes de ser dita.
antes era bom, mas hoje não presta pra nada. só falar depois de remoer quinhentas vezes todas as palavras faz as pessoas acharem que eu sou assim - direta, simples, sem duplo sentido. e isso é tudo, menos eu. eu digo que não gosto, mas talvez eu goste. eu digo que quero, mas talvez não queira. eu queria saber como faço pra que as pessoas não levem tudo o que eu digo ao pé da letra.
perguntinha
o que é que está faltando, de uma vez por todas? não saber pode ser poético, mas dificulta um pouco as coisas.
e uma pergunta bônus: do que é que eu tenho tanto medo?
eu acho que já esgotei a cota de chatice a que tinha direito em 2007.
recordar é viver
dos idos de 2002:
(…) eu não gosto de ficar em casa sozinha tanto quanto eu achava que gostasse. ultimamente eu tenho adotado essa postura do “antes mal acompanhada do que só”, ando com um medo ridículo de ficar sozinha, porque eu sei que a pessoa que eu mais gosto não vai estar lá quando eu precisar. move on!
aí quando eu digo que não evoluí, que continuo tendo 12 anos, as pessoas acham que é excesso de modéstia. isso aí era 2002. agora é 2007 e não mudou nem uma vírgula. só não consigo lembrar quem era a tal pessoa que eu mais gostava, mas isso é o de menos.
e esse só porque eu achei engraçado:
(…) aaah, vou explicar esse post idiota: é culpa de uma tal teoria da formulação criativa. é mais ou menos assim: quando você diz/pensa nas coisas (conscientemente), seu inconsciente acredita e incorpora. ou seja, se você é pessimista como eu e fica repetindo o dia inteiro que nada dá certo, que sua vida é uma merda, por mais que sua vida seja boa, seu inconsciente vai acreditar, e vai se acostumar a só ver o lado ruim das coisas. basicamente é isso. e a karina, pra ver se meu inconsciente acredita que eu tenho auto-estima (hohoho) me manda ficar repetindo “eu sou inteligente, eu sou importante, bla bla bla”. por isso eu vim aqui pra postar que, mesmo o dia tendo sido péssimo como um todo, alguma coisa boa teve. afinal, eu sou legal, normal e importante.
ler arquivos dos blogs velhos é muito instrutivo!
…
we’re keeping busy
yeah, we’re bleeding stones
with our machinations and our palindromes
anything but hear the voice
that says we’re basically alone.[andrew bird - i]
formiguinhas (não o filme)
eu observo formigas e as uso pra fazer metáforas da minha própria vida. bonito, não?
estava eu realizando um dos meus afazeres domésticos (não temos empregada/diarista e minha mãe está trabalhando, ou seja, sobrou pra mim), dando uma limpezinha na pia do banheiro, jogando aleatoriamente aquele produto roxo e cheiroso que serve pra alguma coisa que eu não sei o que é. na pia, estavam duas formigas, daquelas pequenininhas e infernais que surgem quando qualquer mini pedaço de coisa comestível ou não (pelo menos eu acho que sabonete não é comestível, mas vai saber) fica de bobeira no chão ou em algum móvel. voltando à história inútil, o produto roxo escorreu na pia e deixou as formigas fechadas em um círculo de dois ou três centrímetros. foi a primeira vez na vida que eu vi formigas desesperadas! elas rodaram o círculo inteiro umas quinhentas vezes, procurando uma saída. levaram um tempo para perceber que estavam, com o perdão da palavra, fodidas. ficaram paradas uma de frente para a outra, conversando (!). nessa hora eu dei as costas e fui fazer o resto das coisas. quando volto para a pia, vejo que formigas são bichos realmente corajosos: as duas pobres formiguinhas tentaram enfrentar a meleca roxa e acabaram morrendo (grudadas ou intoxicadas, nunca saberemos). eu, que nunca deixo passar uma oportunidade de filosofar botecamente, fiquei pensando que, se fosse comigo, eu provavelmente ficaria no círculo livre de meleca até morrer de fome. eu nunca entraria num negócio (uma meleca?) que eu não conhecesse, mesmo porque sou da turma do “o copo está meio vazio”. pelo menos as formigas tentaram, não? elas correram o risco de conseguir atravessar sãs e salvas e voltar para suas vidinhas de formiga. eu teria sobrevivido um pouco mais, mas teria morrido depois, de qualquer jeito. vale mais a coragem delas ou a minha sobrevida?
pelo menos agora eu sei que o produto roxo serve também pra matar formigas.
e dando uma olhada nos arquivos, percebi que eu realmente gosto dessa coisa de separar a última frase do resto do post.
então,
era mesmo um surto qualquer. mas não retiro uma palavra do que disse.
