eu que invento minha fragilidade. ela não tem motivo, não tem hora, não tem culpados. agora falta descobrir como eu faço para não deixar ela chegar.
constatando o óbvio.
alegria
eu vou te dar alegria
eu vou parar de chorar
eu vou raiar o novo dia
eu vou sair do fundo do mar
eu vou sair da beira do abismo
e dançar e dançar e dançar
a tristeza é uma forma de egoísmo
eu vou te dar eu vou te dar eu vouhoje tem goiabada
hoje tem marmelada
hoje tem palhaçada
o circo chegouhoje tem batucada
hoje tem gargalhada
riso e risada
do meu amor[arnaldo antunes - alegria]
forget her
para resolver meus problemas, eu tenho que aprender a ver o invisível. e por mais estranho que pareça, a coisa invisível em questão sou eu mesma. e é tudo tão complicado quanto soa.
um bom começo seria abolir o sujeito eu, oculto ou não.
na verdade, eu sou bem hipócrita: me acho um cocozão mas não deixo de falar de mim mesma. olha o contrasenso aí, gente.
é.
blaaaaaargh
intensidade demais.
a ponto de quase chorar ouvindo como é grande o meu amor por você - sem perguntas, por favor.
essa semana de folga merecia ser dormida do início ao fim.
ritos de passagem
mais rascunho! faltou concluir o raciocínio, não? sempre falta. é parte da minha personalidade. ha.
é estranha a sensação de estar em casa e não me sentir ligada a nada nem ninguém daqui. essa casa que antes era tudo o que eu conhecia passou a ser apenas o lugar onde eu durmo e como (e às vezes nem isso). já tem sido assim há algum tempo, mas essas férias compridas e chatas me fizeram ver que eu realmente não tenho mais paciência para a vida em família. estou pronta para mudar de fase, pronta até demais. o fato de a presença dos meus pais e irmã(s) muito mais me incomodar do que me ser agradável com certeza aumenta minha vontade de ir embora; eles viraram desconhecidos para mim - não porque eu não os conheça mais, mas porque eu não consigo mais ver nada em comum entre mim e eles. prova cabal disso é eu me sentir sozinha mesmo com algum deles por perto. talvez isso pese mais que a falta de liberdade que morar com meus pais implica. e olha que isso pesa muito.
(…)
i just made you up to hurt myself
sem revisão porque eu consigo ser espontânea às vezes. só às vezes.
sabe, eu tenho muitas memórias da época do colégio. muito do que eu faço e penso acaba girando em torno de quem eu fui, de quem eu conheci e do que eu fiz nos não exatamente saudosos anos do ensino médio.
voltei a esse assunto porque hoje uma pessoa daquela época (e de antes, muito antes) ligou para me falar de outra pessoa daquela época (essa mais recente, mas com um impacto importante). sabe aperto no coração imediato? sabe vontade de ter os dois na minha frente para dar um abraço e ter uma conversa? sabe vontade de voltar no tempo e consertar o que levou à falta de contato? tudo isso por uns três minutos de conversa besta.
acho que eu sinto saudade dos meus melhores amigos e confidentes. mesmo que eu tenha confundido as coisas por algum tempo, para mais ou para menos, eles eram isso: meus amigos e confidentes. variações de intensidade e sentido não importam. no coração, o tempo não passou. estão os dois aqui. penso neles sempre. e para sempre. mas eles não existem mais, nem eu. o tempo passa e isso é triste, em geral.
mas putaqueospariu, quando eu vou pôr a porra do passado para trás? quando é que eu vou deixar de sentir que perdi minha vida por não fazer muito do que deveria ter feito, ou por ter deixado para fazer agora, depois de velha (ok, eu sei que não sou velha… shut up)? ei, pessoas e coisas que já foram embora, da minha vida e da vida dos outros, me deixem em paz, de uma vez por todas. já existe o método brilho eterno de apagar memória? se existir, estou na fila. gostar das pessoas dói. e não me venham com aquele papo de que isso é parte do ser humano. prefiro ser bicho, então.
para terminar de um jeito patético e condizente, eu ando me sentindo sozinha, de novo e sempre. quando pára? queria ser do tipo que cria intimidade imediata com as pessoas, quebraria uns quinhentos galhos meus.
luz?
começando a liberar os rascunhos que estavam esperando a oportunidade de aparecer na página principal. são RASCUNHOS, veja bem.
out of these shadows
comes the light*[rufus wainwright - shadows]
poderia fazer uma lista enorme e altamente subjetiva de todas as coisas que me dão medo e que vez por outra me impedem de dormir - o medo do desamparo presente ou futuro ou o de estar estragando minha vida sem saber, por exemplo.
poderia fazer outra lista talvez ainda maior das coisas que me frustram - o potencial que eu desperdiço/o tempo que eu perco achando que eu sou uma merda certamente seria o primeiro item.
de aniversário, quero poder reagir às coisas como qualquer ser humano decente, sem sentir vontade de me jogar num poço a cada dificuldade encontrada, ou mesmo sem achar que me jogar no poço é a única coisa que eu sou capaz de fazer.
* estou tentando acreditar no que a música diz, esforço diário e inútil. o que faz sentido, já que essa mesma música tem o verso “still i’m far from happy“. pelo menos o problema não é só meu. e nem tão grave assim. não nesse sentido. ok, nem eu entendi agora.
defeitos, pt. 1
eu tenho pressa, muita pressa. eu amaldiçôo pessoas que andam devagar na rua só porque elas estão no meu caminho, não importa se eu estou atrasada, adiantada ou na hora.
tenho tanta pressa que antecipo todo tipo de sofrimento. nem aconteceu e eu já estou chorando e me sentindo culpada, com ou sem motivo.
eu odeio desafios. eu odeio metas. quero tudo aqui e agora, de uma vez. odeio conquistar as coisas. odeio o trabalho árduo que é preciso ser feito para se conquistar as coisas (ironicamente, o trabalho árduo sem objetivo faz muito mais sentido pra mim).
odeio ter que esperar o que quer que seja - não importa se é o metrô, se é a pipoca no microondas ou se é tudo se ajeitar.
quero as rédeas, mas não tenho nem idéia de onde elas podem estar. e não faço nada significativo para encontrá-las.
apesar da pressa, sinto preguiça. talvez por causa mesmo da pressa é que eu tenha preguiça. tudo o que leva muito tempo me incomoda. assim como tudo o que me dá tempo para pensar no que quer que seja.
eu desisto fácil. não deu certo? a culpa é minha e é melhor desistir. eu tenho sempre um pé atrás com qualquer coisa que dependa de mim, principalmente se depender só de mim. não confio no meu taco.
eu tenho medo de quase tudo o que existe.
sinto sempre que estou perdendo tempo precioso da minha vida.
[continua….]
porque chique é ter autocrítica.
hallelujah*
esse tempo besta, essas nuvens escuras que deixam o dia com cara de noite, eu em casa num pijama velho, lendo e ouvindo música… não consigo evitar o saudosismo de uma certa época da vida. época bem parecida, no dia-a-dia, com o que eu descrevi aí. época que não era tão boa assim. época que, na verdade, foi uma das piores (perdendo talvez para o primeiro ano da faculdade). ainda assim, sempre que eu ouço as músicas que ouvia, sempre que o tempo fica do jeito que eu lembro que gostava, sempre que eu acordo cedo e sinto aquele sol meio frio que bate de manhã, penso que de lá para cá eu perdi aquilo que achava ter de melhor. eu acreditava em tanta coisa, eu acreditava tanto no que estava por vir - eu acreditava mesmo que algo estava por vir! -, e agora, nada… certamente é parte das desvantagens de ficar velha. dá pena de ver todo o potencial que eu deixei escorrer pelo ralo. não que hoje em dia eu possa ser menos do que podia ser naquela época, mas porque eu tinha ingenuidade suficiente para acreditar que poderia ser o que quisesse, quando quisesse.
* música de fossa, por excelência. dia desses eu estava no ônibus e entraram duas meninas que não tinham mais que 10 anos, aparentemente recém saídas de uma aula na escola ou no curso de inglês, cantando hallelujah. elas eram tão crianças e tão bonitas. momento devidamente guardado na cabeça.
diorama
all the bridges in the world
won’t save you
if there is no other side
to cross to.[silverchair - world upon your shoulders]
eu tinha deixado isso aqui em um dia longínquo (ah, claro) de janeiro - férias, nada para fazer, toda aquela coisa exasperante que todo mundo conhece bem. dando uma olhada agora para ver o que apagar e o que postar (tem realmente muitos rascunhos aqui, aguardem milhões de posts de uma vez só), achei esse trecho de letra de música. se originalmente tinha pensado em postar por um motivo, agora publico justamente pelo motivo oposto. otimistamente (isso é uma palavra?), vejo que o outro lado existe. o desespero (por falta de palavra melhor, como sempre) existe também, mas é tão, TÃO diferente agora. só me falta aprender como sustentar esse sentimento por mais de dez segundos.
de qualquer forma, é uma bela música.
fato aleatório sobre mim
sou agnóstica, mas my sweet lord do george harrison me emociona, me dá arrepios, me deixa feliz e faz meus olhos lacrimejarem. muita coisa para uma música só.
listinha
a comprar, sabe deus com que dinheiro, assim que possível:
- um mp3 que não me faça chorar de desgosto.
leia-se: com mais de 128MB de capacidade e que não leve pilhas. um ipod passou pela minha mão e foi embora tão rápido quanto veio. uma pena.
- uma cópia em inglês de o retrato de dorian gray.
uma edição em português com tradução decente (leia-se: não da martin claret) também serve.
- uma cópia de odes de ricardo reis.
descobri que é meu heterônimo preferido do pessoa.
- uma câmera digital.
mais uma da série “registrando o impossível”.
- the swimming hour, do andré passarinho e sua cumbuca de fogo.
o preço deu uma boa abaixada, então a aquisição não deve demorar muito. mas tem a preguiça, né? fora que já ter o disco em mp3 dobra a preguiça (preguiça monetária, no caso) de comprar o cd.
- um tênis decente.
se eu comprar outro all star, alguém por favor me bata.
- uma bolsa.
odeio bolsas e outras coisas de mulherzinha, mas é um mal necessário. preciso de uma coisa prática para usar quando não estiver levando coisas suficientes para encher minha mochila.
- aulas de canto.
o mundo está conspirando contra, então acho que não vai acontecer tão cedo.
- cordas para o meu violão.
assim que eu me conformar que r$15 é um preço justo.
a ser atualizada constantemente.
são paulo, de novo
uma das muitas coisas que eu não gosto na minha vida é minha relação com são paulo. muitas vezes sinto que fico só com a parte ruim das coisas que ela pode oferecer. morar longe das boas coisas e lugares, além de não ter dinheiro o suficiente para acessar a maioria delas são problemas inegáveis.
o que me incomoda mesmo não é nada disso: de verdade, é não poder (por muitos motivos) sair à noite para olhar. porque essa cidade é muito interessante de se olhar de dia, mas de todas as que eu conheço é a que fica mais bonita e que mais me faz pensar à noite, quando tem menos pessoas na rua e as poucas que sobraram parecem ter muito mais a contar [preciso falar que salvador também me dá essa sensação, embora em grau muito menor. pois é, galerinha: eu não odeio salvador tanto quanto digo]. talvez se eu tivesse um carro…
aí fico eu aqui com o trânsito, a sensação de isolamento mesmo estando cercada por mais ou menos 11 milhões de pessoas e mais estímulos do que eu consigo absorver [cf. simmel, g. - repito quantas vezes for necessário que esse foi o melhor texto que eu li na faculdade e possivelmente o único do qual vou me lembrar quando sair dela].
…
uma das coisas que eu gostaria de saber fazer (eu e a torcida do flamengo, certamente) é evitar certos sentimentos que eu sei, racionalmente, serem errados ou mesmo idiotas. a sensação de insuficiência, por exemplo. eu sei que ninguém é perfeito e que eu não serei perfeita nunca, o que não me impede de sentir que não ser perfeita é uma coisa muito grave. eu fico tentando descobrir o motivo desse sentimento e nunca chego a conclusão nenhuma - é complicado tentar achar sentido em uma coisa cuja graça é justamente não ter sentido.
se eu não fosse tão control freak, o problema nem existiria. talvez eu deva substituir todas as metas que eu tracei para 2007 por uma única: perder a vontade de entender/controlar tudo na vida. mas acho que é audácia demais para uma pessoa de um metro e meio, não?
