30.04.07
quem me conhece há mais de dois segundos sabe o quanto eu já fui absolutamente pirada por los hermanos. do fim de 2001 até… sei lá, algum ponto do ano passado ou retrasado. minha banda preferida - ou segunda banda preferida, já que eu gosto de alegar que não sei qual é a primeira - durante um bom tempo.
dia desses a banda soltou um comunicado, tão lacônico quanto eles têm sido ultimamente, avisando que a banda entrará em recesso por tempo indeterminado.
sinceramente? pra mim, eles já estavam em recesso desde o lançamento do último álbum. é bonito, mas nem de perto é o ventura, o bloco do eu sozinho ou mesmo o primeiro disco. um punhado de canções legais (com umas arrastadas demais pelo caminho) mas que não formam um cd bom de se ouvir de cabo a rabo. e as entrevistas, então? começaram a ficar doídas de se assistir. respostas mal-educadas e monossilábicas a torto e a direito, dando material suficiente pra fazer qualquer um virar anti-los hermanos (aliás, não sei se é mais clichê ser fã de los hermanos ou abominá-los). nem de perto a banda que eu gostava. musicalmente piores? duvido. mas a simpatia de antes fez falta, viu.
fora o fato da sincronia amarante-camelo ter obviamente se perdido no meio do caminho - pelos menos nas canções. ao vivo (ao vivo pela tv, porque eu não cheguei a assistir nenhum show dessa turnê) a diferença me pareceu pouca. mesmo assim, qualquer pessoa percebeu que as canções de um eram totalmente diferentes das do outro: o amarante foge da métrica e da rima como o diabo da cruz, e o marcelo gruda nela que nem chiclé. junta isso com a ausência de backing vocals de um na música do outro (ou qualquer backing vocal que seja, pra falar a verdade)… enfim, estava tão na cara o descompasso que eu nem cheguei a arregalar os olhos quando soube do tal recesso.
resumindo, espero que essa pausa da banda seja permanente. melhor não fazer mais nada sob o nome da banda do que lançar mais um disco sem pulso nenhum. a banda que costumava me fazer sorrir de orelha a orelha (ou ainda sair pulando e dançando pela casa, no caso das músicas do primeiro disco) continua existindo nas lembranças.
p.s. “vai você tocar instrumento de corda que arrebenta e desafina”, já diria marcelo camelo.
calmaria interna agora, finalmente.
provavelmente temporária, mas já é alguma coisa.
edit: e não é que já está passando? ó o atraso de vida voltando.
29.04.07
escrevi há tempos (algum ponto de julho do ano passado), sobre uma pessoa que eu nem cheguei a conhecer. e que provavelmente nunca conheceria, mesmo que ela ainda estivesse viva.
eu acho que ela era assim.
olhos de alguma cor no meio do caminho entre castanho-com-aura-de-verde e azul-celeste. um pouco pálida, às vezes. cabelos castanhos, encaracolados de um jeito que ela sempre odiou. trauma de adolescência por conta das pernas muito finas. perfume delicado de flor, personalidade forte.
sentiu medo quando ficou grávida. não apertou a mão de ninguém durante o parto. depois, passou dias na beira do berço, olhando aquele menino rosado que, de um jeito ou de outro, era dela. o pai escolheu o nome, ela aprovou.
tratava-o como amigo, não como filho. se separaram os dois, sem tristeza. ela sentia a presença dele sempre - especialmente na hora do jantar, sentada de frente para a cadeira vazia. se davam bem, como conhecidos que só se viam ocasionalmente, ávidos para contar novidades. a timidez e a cumplicidade calavam os dois, que se olhavam e só. ele ia embora, ficava a cadeira vazia e alguma coisa mais.
ele cresceu, assumiu compromissos (talvez grandes demais pra uma pessoa tão jovem) e já não tinha mais tanto tempo para ela. ele sentia a presença dela sempre - especialmente quando dirigia para a faculdade, olhando o banco vazio do passageiro.
28.04.07
eu não consigo deixar de pensar que se meu telefone não toca (filosoficamente falando, se isso for possível) é porque as pessoas simplesmente não se importam comigo.
e NINGUÉM vai me convencer do contrário.
edit: auxílio visual é sempre bom.

[de post secret]
eu nunca vou superar o passado. nem o meu, nem o de ninguém. nem o seu, inclusive.
22.04.07
dentre as coisas que não sei se são minhas ou roubadas, incluo as bandas e as músicas. nunca sei. só espero que ninguém se importe com o roubo/furto. e falando em música, doves é uma banda legal.
and that’s all i have to say about that.
edit lembrei que o jeff buckley eu não roubei de ninguém. ufa!
21.04.07
às vezes não ter nada a dizer significa apenas não ter nada a dizer, certo? certo? é bom que seja só isso mesmo, e não uma extrema falta de algo importantíssimo para o convívio social.
mas de qualquer jeito, por que eu sempre acho que minha falta crônica de coisas a dizer é um grande problema? quem inventou que as pessoas têm de ser interessantes não sabia o quanto isso é cansativo.
mimimimimi.
20.04.07
sometimes i’d rather run and hide,
then stay and face the fear inside.
[paul mccartney - at the mercy]
pode até estar morto, mas acertou na mosca. ô se acertou.
e na maioria das vezes eu fico e enfrento o medo, mas quase sempre perco.
edit: depois as pessoas ainda dizem que eu não falo demais. pfft.
17.04.07
uma nuvem de fumaça, grande e espessa. uma nuvem fora do lugar, em cima do lugar. uma nuvem-lugar, talvez. uma nuvem-obstáculo, translúcida e densa. uma nuvem desconhecida, uma nuvem-susto, uma nuvem atemporal. uma nuvem companheira, inimiga-quase-amiga. uma nuvem negra de chuva e fumaça, uma nuvem chove-não-chove.
uma nuvem de fumaça que talvez se dissipe com um só sopro.
uma nuvem passageira.
* por mais que não tenha nada a ver, acho que clouds, do cibo matto [mp3 porque eu ando musicalmente generosa] é uma boa trilha sonora para esse post.
o que é meu e o que eu roubei dos outros?
porque eu estou começando a achar que tudo o que tenho é roubado.
14.04.07
eu sei que eu é que complico as coisas, obrigada.
se pelo menos fosse uma complicação poética, ou ainda daquelas que levam a uma redenção bonita, a uma autodescoberta ou qualquer coisa que o valha…
querer mudar mas não saber no quê é um problema grande e bobo.
e sim, confesso que estou melhorando!
só que é tão sutil que dá preguiça.
ando gostando de juntar palavras em frases pequenas.
em linhas curtas.
simples.
óbvias.
sei lá.
p.s. será que eu serei uma daquelas pessoas que vai esconder a idade quando começar a se sentir velha? mais provável que eu esconda quem sou ou o que fiz/faço (ou deixo de fazer, que é o que costuma me afligir mais).
07.04.07
não importa se a platéia é grande ou pequena, se é da família, amigo ou conhecido, se é no msn ou cara a cara, em uma comunidade no orkut ou pelo telefone - eu sempre me sinto falando com as paredes.
e confesso que a proximidade do meu aniversário sempre me deixa triste. não tem tanto (mas tem um pouco) a ver com o que costuma deixar as pessoas tristes nessa época de suas vidas - a óbvia constatação da passagem do tempo e a sensação de não ter aproveitado direito -, nem com questões existenciais sobre quais presentes eu gostaria de ganhar. o que me deixa triste é que, se por algum motivo eu quisesse dar uma festa de aniversário, eu mal teria quem convidar. e isso mostra mais sobre mim do que muita coisa que eu já disse por aí.
aliás, já que toquei no assunto, faço uma observação importante (só para mim): eu deveria parar de fuçar orkuts alheios. de uns tempos para cá tem me feito um mal quase ridículo - afinal de contas, se tem a ver com o orkut, só pode mesmo ser ridículo.
* por andrew bird, diretamente de uma das músicas-tema da minha vida.
06.04.07
obrigada, jeff.
edit: acabo de descobrir que, para ter um cd/disco dele nas mãos, só importando. ê, brasil.
05.04.07
é…
uma letra de música cairia bem nesse momento sem palavras.
edit: adoro sobrar. ainda mais quando é assim, com catiguria.
edit 2: mudando, porque mudar é bom. nem que seja só na aparência (ou na aparência da aparência, no caso). os links vão continuar amarelos até eu ter outro surto modificador de html.
ó, nem revisei, para variar.
como eu já disse, desde que me dou por gente na internet, eu tenho blogs, diários e afins. hoje eu encontrei dois que eu usava mais ou menos na mesma época, meio de 2002. se a vergonha alheia (alheia porque aquela garota não sou eu, claro) não fosse gigante, eu até colocava o link aqui. talvez depois eu pegue alguma coisa de lá e ponha aqui, mas acho que faz muito mais sentido para mim do que para os outros ver aquelas coisas que eu deixei lá. se tem uma coisa que mudou de lá para cá é que, talvez porque as coisas fossem menos complicadas, eu tinha muito mais noção do que eu estava sentindo e não me confundia tanto quando agora.
e tinha também um blog meu com uma amiga. era o meu preferido, uma espécie de símbolo da nossa amizade, por mais brega que isso pareça. ironicamente, o blog fechou quando a amizade começava a ir ladeira abaixo. amizade que nunca voltou a ser a mesma, aliás (é provavelmente a amizade que eu mais lamento ter perdido, ou que mais lamento que tenha virado só mais uma).
então, entrando nesse último blog achei meu post preferido - do tempo em que eu ainda gostava das coisas que eu fazia e via as coisas chatas com algum bom humor. meados de 2003:
texto mais ou menos sem sentido
hoje o dia foi mais ou menos legal. aconteceram coisas mais ou menos chatas, mas no fundo tudo correu mais ou menos bem. falei com pessoas que eu mais ou menos gosto, evitei as que eu mais ou menos odeio, mas no fundo só fiz coisas mais ou menos inúteis. saí da escola mais ou menos decepcionada, porque eu percebi que sou mais ou menos nada, e represento mais ou menos isso para os outros (mais pra menos do que pra mais). sabe como é, só sirvo pra ser coadjuvante (e olhe lá!) de mais ou menos todo mundo, mais ou menos o tempo todo. aí, eu e minha auto-estima percebemos que eu sou mais ou menos bizarra, mais ou menos desinteressante, mais ou menos tediosa (além de mais ou menos gorda e mais ou menos feia), e isso explica mais ou menos a minha vocação pra zero à esquerda. nessa hora eu fiquei mais ou menos chateada. minha mãe viu a minha cara de mais ou menos quando eu cheguei em casa e perguntou o que eu tinha. eu respondi que não era nada, mas deu pra perceber que era mais ou menos mentira. aí eu jantei e refiz o logo (que já deve estar no seu e-mail) da nossa empresa mais ou menos tosca.
fora que estão começando a me convencer que eu sou mais ou menos fresca e que esse desânimo + depressão + sei lá o que é mais ou menos besteira minha, pra tentar chamar atenção, sei lá (lembra aquele negócio de até fazer uma idéia sobre o que é que me incomoda mas não poder dizer ou não saber como? então, é aí que as pessoas me pegam, já que eu não posso “estar assim sem um bom motivo” - blah, nem foram essas as palavras -, essa história de depressão só pode ser mentira… logo, eu sou uma farsa! ha! me descobriram - *ironia*)1. isso me deixou mais ou menos sem chão, já que eu sempre tive mais ou menos certeza do que se passa comigo.
é chato ver que todos já estão mais ou menos encaminhados, que têm mais ou menos certeza do que querem ou deixam de querer, que estão mais ou menos avançando ou regredindo, quando eu sei que eu estou mais ou menos estagnada assim. não posso ser nem mais, nem menos e isso está me deixando totalmente agoniada, já que tudo o que eu faço pra tentar mudar serve pra mais ou menos nada, e no fim é só mais uma derrota pra minha vasta coleção.
mas tudo bem, agora eu tenho mais ou menos certeza que vou ver uma das minhas (duas) bandas mais ou menos favoritas2 (a sua vaga lá também está mais ou menos garantida) na segunda. êêê. e aposto dois dinheiros americanos (olhe só minha confiança!) que esse texto foi não mais ou menos, mas muito irritante de ser lido!!
. . .
minha vida é mais ou menos isso.
colaria outros mil posts aqui. foi uma época bem bosta da vida, mas eu gosto de ver que consegui sobreviver. eu não era tão ruim assim em 2003. será que é um passo para eu começar a achar que eu não sou tão ruim assim agora?
1 que eu me lembre, quem me disse que eu não podia estar triste sem motivo foi o cara que eu gostava na época. não tenho certeza.
2 a banda era paralamas. e nós fomos mesmo.
04.04.07
legal que eu passo a maior parte do tempo achando que eu sou uma pessoa normal, tranqüila, de boa, aí do nada eu tenho uma sensacional e infundada crise de ciúmes que me deixa puta por uma hora, mais ou menos. aí passa de novo.
obviamente isso é mais comum em época de tpm e afins, como agora.
isso aqui é principalmente composto de reclamações e afins porque eu prefiro ficar calada quando se trata do que é bom. é bom, é meu e eu guardo com cuidado.
saldo de livros lidos nas férias/início de ano: 5
insônia (graciliano ramos)
revolução dos bichos (george orwell)
memórias do subsolo (fiodor dostoiévski)
o jogador (fiodor dostoiévski)
a corrosão do caráter (richard sennett)
[só gente fraquinha, hein? o sennett não conta.]
saldo de livros abandonados nas férias/início de ano (que eu me lembre): 5
trópico de câncer (henry miller)
as relações perigosas (choderlos de laclos)
o grande gatsby (f. scott fitzgerald)
eugene grandet (honore de balzac)
uma aprendizagem ou o livro dos prazeres (clarice lispector)
[destes aí, pretendo retomar o segundo por já ter lido um bom pedaço dele, o terceiro pela fama e o último porque é a lispector, poxa.]
livros que tenho a intenção de ler: 0
[que tristeza… maldita faculdade.]
acho que preferia fazer uma lista de filmes, mas vi tantos que nem lembro mais. fora o meu problema de não lembrar se gostei do filme ou não, no melhor estilo velhinha caquética. o que vale é a intenção, minha gente.
03.04.07
quando é que eu vou aprender que estar sozinha não é necessariamente uma coisa ruim, por mais que não seja (nunca seja, na verdade) por escolha?
o chato é que não estar sozinha envolve tantas coisas além da presença de outra pessoa no cômodo que é quase impossível não estar, não importa o contexto.
e tem a vontade de sair correndo (fisicamente ou virtualmente, tanto faz), pedindo colo. fazendo isso, geralmente a sensação alivia, em maior ou menor grau. mas pedir colo não é fraqueza? eu deveria me bastar? me forçar a não falar com as pessoas que me fazem bem é mostrar força, auto-suficiência? isso é carência ou é de verdade?
01.04.07
já estou vendo que essa vai ser uma semana de escrever aqui um monte de coisas chatas e tediosas que só eu entendo e que só interessam a mim.
começando (ou não): para uma pessoa que queria, mais que tudo, ser auto-suficiente, eu dependo demais de seres humanos de carne e osso (em oposição àqueles que vivem na ficção, na memória ou ainda no mundo virtual).
resumindo, é uma bosta querer conversar e não ter com quem.
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