30.05.07

perdendo a guerra

é impressionante como racionalidade e auto-imagem, para mim, são como cão e gato, água e óleo, paul mccartney e yoko ono ou qualquer outra duplinha de coisas que não se bicam. igualmente impressionante é como isso me prejudica na vida mais do que tudo.

29.05.07

em 14/09/02

você constrói seu castelinho. do modo mais trabalhoso, prestando muita atenção a cada detalhe, a cada tijolinho, ao tamanho de cada cômodo, não deixa passar imperfeição nenhuma. nenhuma. ao final da obra, você vê o resultado: ele, o (única e exclusivamente) seu castelo, é lindo, cor-de-rosa, confortável e aconchegante. lá dentro, sente-se incrivelmente segura e feliz, como nunca poderia sentir-se “lá fora”. e estava tudo bem - na verdade, não estava tão bem assim. você sabia que as coisas “lá fora” não estavam bem. dentro do castelinho cor-de-rosa você é importante, você é única, você vale algo, enquanto lá fora é só mais uma, ou nem isso. não tem nada que te faça especial fora do castelo, mas lá dentro você reina absoluta. por esse motivo, você prefere se enganar e crer que pode passar a vida toda no dito castelinho, já que lá a vida pode não ser verdadeiramente bela, mas é uma ilusão muito bem preparada. mas não pode fazê-lo, não pode ficar lá dentro pra sempre, você vai ter que enfrentar a vida “lá fora” um dia, afinal o castelinho pode até ter tudo o que você queria ter, mas não tem tudo o que você necessita. um belo dia chega alguém e te diz que é hora de sair do castelinho e se virar “lá fora”. porque, quando você é criança, se enfurnar no tal castelinho é sinal de criatividade, de genialidade, algo assim. quando você cresce, isso muda de nome: escapismo, esquizofrenia.
moral da história? não tem. o que você pode tirar dessa história é, no máximo, um “não se pode ter tudo”.

26.05.07

onde compra?

eu quero auto-estima.
eu quero auto-estima.
eu PRECISO de auto-estima, porra.

warm gun

eu não me perdôo por uma série de coisas que não deveriam precisar de perdão.

from me to you

categoria: música, esfinge

it’s easy to be
easy and free
when it doesn’t mean anything -
you remain
selfless, cold and composed.

[ben folds five - selfless, cold and composed]

23.05.07

título? o que é isso?

eu sou bem mais ciumenta do que eu poderia pensar. e do que gostaria, claro (ou será que tem alguém no mundo que goste de sentir ciúmes?). eu achava que meu problema fosse só com coisas, mas parece que se aplica a pessoas também.

devia criar uma categoria chamada “coisas de mulherzinha”, isso sim.

20.05.07

ad nauseam

todo dia eu vejo/sinto/constato que estou fadada a estar sozinha (ou a achar que estou, pelo menos), por múltiplos meios e motivos1. não tenho como dizer que minha vida não tem mudado. tem sim, muito. mas não o suficiente para que eu me desgarre da minha alma de solteira convicta (pode soar absurdo considerando a minha situação atual, mas não é) nem para que eu seja diferente do que era no tempo em que passava os intervalos sentada no fundo da sala com um livro enfiado na cara ou ainda na época em que ficava fechada no quarto ouvindo música triste e lendo mangá.
não mudou nem o fato de eu saber que estou reclamando de boca cheia mas continuar reclamando. era sozinha antes, sou sozinha agora. e pronto. a única diferença que vejo é que, naquele tempo, a solidão era mais qualitativa (tinha pessoas ao meu redor, mas a maioria agia como se não ligasse ou dizia literalmente não ligar, o que é bem mais legal) e agora é mais quantitativa (poucas pessoas por perto, mas pessoas que importam - o que não seria ruim se eu não fosse tão carente ou se fosse possível grudar nessas pessoas sem ser chata)2.
bom, o fato é que está frio, eu estou ouvindo músicas corta-pulsos (uma categoria difícil de definir, já que qualquer música é potencialmente corta-pulsos), não consegui estudar as milhões de coisas que deveria ter estudado e não posso nem ficar conversando no msn (mesmo não estando com vontade agora) = estou triste. quem sabe dormindo passa.

1 dentre esses meios e motivos, está o orkut. pateticamente, o maldito orkut. o que me me dá vontade de cometer orkutcídio não é o fato de eu usar aquilo como uma mera agenda de contatos. o problema é que todo mundo tem 300 amigos e fotos bonitas e felizes enquanto eu não me sinto próxima de nenhuma das 90 pessoas que eu tenho adicionadas [há excessões e você que está lendo é provavelmente uma delas]. fora o fato de uma boa porcentagem delas estar ligada a um passado que eu ao mesmo tempo odeio e sinto falta - algumas delas são atestados dos meus fracassos; outras, perdas infelizes pelo caminho; tem ainda aquelas que eu preferia nunca ter conhecido. incomoda mais ainda contar quantos deles sobraram de verdade. são só fotografias 3x4, não são mais pessoas.
2 mais uma das poucas coisas que eu vou levar da faculdade é essa divisão quanti-quali. deixa o discurso bonito e suscita brigas acadêmicas inúteis.

15.05.07

da série: coisas chatas da vida

1) insônia.

13.05.07

saldo do fim de semana:

50 páginas lidas (aproximadamente) + 24 horas em frente ao pc = uma incrível resenha de 2 páginas (sendo que, para ser uma resenha respeitável, devia ter pelo menos umas 4)!
e quem liga para as 100 páginas (chutando baixo) que eu deixei de ler e para a transcrição que eu deveria ter feito semana passada e mal comecei? eu é que não.

eu devo ser a única pessoa do mundo que não gosta de fins de semana.

12.05.07

rascunho #6:

eu sempre quis ser artista. muito do que eu fiz ou tentei fazer na vida foi por esse motivo: eu queria ser artista. não famosa, veja bem. só queria ver o que outros não vêem, queria supreender as pessoas de algum jeito (já que eu não sou o tipo de pessoa que surpreende os outros, nem pela minha estética, nem pelos meus atos). queria pessoas boquiabertas com algo que só eu pudesse fazer, saber ou ser. por isso a vontade de aprender a desenhar. por isso a insistência em cantar ou aprender a tocar instrumentos. por isso páginas e mais páginas de coisas escritas, devidamente escondidas por vergonha da mediocridade.
aí eu escolhi as ciências sociais. já sabia disso antes de entrar, mas ao longo do tempo fui comprovando que elas têm muito pouco de surpreendente - as coisas mais originais e revolucionárias foram ditas/descobertas em algum ponto do século xviii ou do xix. por mais surpreendente que uma teoria possa parecer hoje, dois ou três argumentos são suficientes para provar que não passa de balela ou viagem excessiva de alguém (provavemente) metido a intelectual. não vai ser nessa profissão, portanto, que eu vou conseguir ver as faces boquiabertas - não por motivos legítimos, pelo menos (também não vai ser com ela que eu vou ganhar dinheiro, mas aí já é outra neura).
então, resumindo: eu não sou bonita. eu não canto. eu não danço. eu não atuo. eu não desenho. eu não tiro fotos. tenho muito pouco com que me expressar, além de pouco estímulo (que está quase virando pouca vontade). e então? sou só uma pessoa casa-faculdade-casa e isso enche o saco. o meu saco, inclusive.

depois vem o robô johnnie walker dizendo que tudo o que eu preciso é fazer uma coisa notável. obrigada pela força, hein? pfft.

[relendo o post para publicar, percebi que talvez meu problema seja resolvido se eu largar a sociais e for fazer arquitetura. muito simples, muito simples.]

rascunho #5:

de uma vez por todas:

a verdade é que eu sou mentirosa*. compulsiva. me escondo atrás de qualquer desculpa, por mais esfarrapada que seja - qualquer uma serve. o objetivo não é que as pessoas acreditem, mesmo porque eu finjo muito mal. o objetivo é comprovar o que eu sei, você sabe, todos sabem: a maioria das pessoas é educada o suficiente para nunca contestar algo que você diga sobre si mesmo. e se eu digo que eu sou de um jeito, se eu omito meu lado desprezível ou mesmo se eu digo que era muito boa em física no colégio, as pessoas contentam-se em tomar o dito como suficiente e não contestam. eu também não contesto. e assim a gente segue.

* a palavra mentirosa só está aí porque, que eu saiba, não existe uma palavra específica para quem, como eu, omite coisas.

rascunho #4:

na verdade, é mais um post velho que eu peguei de algum dos meus blogs perdidos. acho que é de 2002.

tá, acho que finalmente vou conseguir responder aquele seu post de milênios atrás. só agora me ocorreu uma ideiazinha mais ou menos coerente…

então né, eu empaquei. há algum tempo eu achava que talvez, um dia, por algum milagre, eu pudesse conseguir sair desse ciclo, deixar de ser inútil, etc., mas eu percebi que nem por milagre dá pra mudar. sabe? o que eu tenho, o que eu sou, o que eu sei fazer, só dá pra isso mesmo. aí eu vou acabar o colégio, vou fazer vestibular, vou passar, não vou passar.. e é isso. eu não vou em frente, só vou seguir o curso natural das coisas. aí com não sei quantos anos vou perceber que minha vida toda passou em vão, e que talvez não tenha sido culpa minha. mas provavelmente terá sido. e todo aquele esforço pra parecer normal também não vai servir de nada, como tudo o que eu costumo fazer (ou não fazer). eu até tento me convencer “ah, não é tão ruim assim, você não é assim tão ruim”, mas não é mais simples aceitar a verdade e desistir logo? o castelinho* está lá me esperando… só falta o golpe de misericórdia pra eu ir logo pra lá…. e eu não faço a mínima idéia de quem ou o que vai dar o golpe final… é esperar. e pronto.

* o castelinho, ou ainda castelinho cor-de-rosa era a metáfora que eu gostava de usar para dizer que só vivia dentro da minha cabeça e olhe lá. ridículo, mas eu tinha 16 anos e não tem nada mais ridículo do que ter 16 anos.

rascunho #3:

[sugestivamente chamado: “coisas que eu fico pensando no ônibus”]

parece que ninguém mais está disposto a fazer concessões por qualquer motivo que seja. todo mundo se agarra às suas vontades e opiniões e nada se move um único centímetro. estamos empacados em nossos respectivos umbigos.
ninguém mais conversa, ninguém mais concebe a possibilidade de mudar de opinião. ouvimos sempre que devemos nos impor, fazer valer o que queremos e outras coisas auto-ajuda do tipo, mas parece que ninguém se lembra que ceder um pouco ao outro não é fraqueza. ok, de um certo ponto de vista pode até ser, o que não significa que seja ruim. muito pelo contrário - só cedendo é que é se conhece dos outros aquilo que eles não mostram. aquilo que é o melhor, sempre. SEMPRE. eu sei que isso soa muito piegas, mas considerem o fato dessa declaração sair da pessoa mais desconfiada de todo o universo e tudo muda de figura.

omiti um parágrafo inteiro porque tudo nessa vida tem limite.

rascunho #2:

às vezes eu sinto vontade de jogar todas as minhas coisas fora. as materiais e as virtuais. eu sempre soube que meu apego às coisas que já passaram é grande e desnecessário.

rascunho #1:

mais uma tentativa de superar a vergonha e liberar os embaraçosos rascunhos desse blog.

meu medo anda cumprindo muito bem sua função de me paralisar antes que eu bata em retirada, fugindo das coisas. eu tenho um monte de assuntos mal resolvidos e um monte de coisas que eu poderia fazer para resolvê-los. e quem disse que eu estou fazendo qualquer coisa que seja? estou me escondendo, como sempre.

estou em milhões de cacos.
tanto que não consigo nem juntar as idéias e dizer algo que preste.

10.05.07

diga, zeca

categoria: música

eu não quero isso,
seja lá o que isso for.

[zeca baleiro - bandeira]

09.05.07

pqp

eu ando sem tempo até para ouvir música (a não ser no ônibus ou coisa assim), alguém tem noção? fora que eu realmente não nasci para acordar cedo ou dormir menos que 9 horas por noite.

eu quero dormiiiiiiiiir!!!

/desabafo cansado

06.05.07

eu sou da turma dos que estão cansados da vida mas que, mesmo assim, se agarram à ela com unhas e dentes. com mais ou menos vontade, a depender do dia.
hoje? muita vontade.

note to self:

você não é tão ruim assim.

agora vê se acredita nisso de uma vez por todas.

sobre:
carol, 23.
i'm a breather, mail receiver,
bottom feader, just getting by.

carol arroba mail.nu

antes de ler qualquer coisa, leia isto.

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