você constrói seu castelinho. do modo mais trabalhoso, prestando muita atenção a cada detalhe, a cada tijolinho, ao tamanho de cada cômodo, não deixa passar imperfeição nenhuma. nenhuma. ao final da obra, você vê o resultado: ele, o (única e exclusivamente) seu castelo, é lindo, cor-de-rosa, confortável e aconchegante. lá dentro, sente-se incrivelmente segura e feliz, como nunca poderia sentir-se “lá fora”. e estava tudo bem - na verdade, não estava tão bem assim. você sabia que as coisas “lá fora” não estavam bem. dentro do castelinho cor-de-rosa você é importante, você é única, você vale algo, enquanto lá fora é só mais uma, ou nem isso. não tem nada que te faça especial fora do castelo, mas lá dentro você reina absoluta. por esse motivo, você prefere se enganar e crer que pode passar a vida toda no dito castelinho, já que lá a vida pode não ser verdadeiramente bela, mas é uma ilusão muito bem preparada. mas não pode fazê-lo, não pode ficar lá dentro pra sempre, você vai ter que enfrentar a vida “lá fora” um dia, afinal o castelinho pode até ter tudo o que você queria ter, mas não tem tudo o que você necessita. um belo dia chega alguém e te diz que é hora de sair do castelinho e se virar “lá fora”. porque, quando você é criança, se enfurnar no tal castelinho é sinal de criatividade, de genialidade, algo assim. quando você cresce, isso muda de nome: escapismo, esquizofrenia.
moral da história? não tem. o que você pode tirar dessa história é, no máximo, um “não se pode ter tudo”.
29.05.07
em 14/09/02
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