31.07.07

tem várias coisas que me acontecem ou eu gostaria que me acontecessem que me fazem pensar se é isso que significa ser adulto(a) ou não.
exemplo? sim, claro.
fiz um monte de planos para esse semestre, dos mais modestos aos completamente megalomaníacos. nenhum deles deu em nada* e a frustração por conta disso anda beirando o insuportável. aí vem a pergunta fatídica: será que ser adulta significa engolir a frustração e pensar “ah, pelo menos eu tenho x”, sendo x uma variável correspondente a qualquer coisa que você na verdade não liga, mas finge ligar (vide o antepenúltimo post) por puro otimismo artificialmente produzido.
mais um exemplo? e por que não?
eu sou bastante carente - os motivos não vêm ao caso, ainda mais porque todo mundo é carente de algum modo e plenamente capaz de se identificar com esse sentimento, mesmo sem maiores explicações. enfim, me acontece muito de eu entrar em um ciclo de pensamentos meio tortos e desagradáveis, o que acaba me levando a querer falar com alguém sobre isso. minha primeira reação é sempre a de tentar não falar com ninguém e, na medida do possível, não externalizar de jeito nenhum (eu sou péssima nessa segunda parte, confesso). primeiro, por eu não gostar de incomodar os outros. segundo, por eu não gostar da sensação de dependência. mais uma vez, perguntas: será que depender dos outros é fraqueza e, conseqüentemente, sinal de que eu ainda não amadureci? ser adulta, portanto, é dar um jeito de abafar a vontade de sair correndo pedindo colo?

por essas e outras que eu tendo a achar que ainda não saí da adolescência. por enquanto ainda estou na margem de erro - 21 não é tão velho assim, né? -, mas vamos se até os 35 eu consigo digivolver.

* mentira! eu consegui vaga para fazer academia na faculdade. grande bosta (mas se eu não tivesse conseguido, provavelmente estaria reclamando disso também).

***

AVISO!
a partir de agora, comentários serão respondidos nos próprios. nada melhor que unir praticidade e preguiça, diz aí.

band-aid

aparentemente, quando estou chateada ou apreensiva, eu não vejo mais portas, degraus, eletrodométicos, lápis e canetas, coisas pontiagudas em geral e outros objetos que podem machucar (machucar uma pessoa lesa e desatenta, no caso).

28.07.07

meu pai é tão legal que sabe quem é o amarante e GOSTA dele.
sensacional, pai.

27.07.07

basically alone*

eu entendo perfeitamente porque as pessoas recorrem a livros de auto-ajuda. mesmo quem critica esses livros, como eu mesma. quantas vezes a gente não dá outro jeito de fingir não ver que algo é mentira, só porque assim fica mais fácil de tocar a vida? se fazer de besta é nossa condição de existência.
no momento, estou tentando acreditar que minha felicidade não é condicionada pelo número de telefones na memória no celular, de contatos no orkut ou de convites para o fim de semana que (olha só!) já chegou. essa época do mês também não contribui em nada para esse exercício de abstração.
difícil, hein…

* esse é o título que eu sempre penso pra 60% dos posts daqui (tanto que já foi mesmo título de outro post e a fonte - uma das fontes, na verdade - da frase também já foi postada integralmente). só não ponho como nome do blog porque seria emo demais para os meus padrões.
edit baixem essa música [i, capital i ou ainda imitosis, todas variações da mesma coisa], se puderem.

botecando

categoria: faculdade

tudo bem que ninguém leu o post abaixo, mas hoje vi que é possível que ele seja útil para mim no grupo de pesquisa do qual participo. blog também é cultura acadêmica.

26.07.07

à deriva

nós somos de uma geração que vive (e tem medo) uma vida ética e emocionalmente à deriva, diz um livro que eu li faz um tempo e sobre o qual já falei aqui, sem citar o nome, acho [tirei o nome do livro porque estava atraindo gente do google e isso é sempre perigoso]. diz ele ainda que o constante risco a que estamos sujeitos - sendo que o autor parte dos riscos provocados pelo novo capitalismo, considerando que estes se difundem pelos demais aspectos da vida do indivíduo - faz com que nosso senso de caráter seja gradativamente corroído.
e tem mais! o autor declara que a sociedade moderna é caracterizada pela desregulamentação do tempo e do espaço, desregulamentação esta que é a causa de sua superficialidade. não há mais a importância do aprendizado - a trajetória só é vista a partir dos pontos de mudança, como trocas de emprego, por exemplo. o autor chega a declarar que o aprendizado obtido ao longo da vida tende a ser descartado pela sociedade, por significar um possível prejuízo à adaptabilidade das pessoas e grupos.
nessa chave, o autor fala de como as relações pessoas, em especial as familiares, ficam submetidas à lógica do trabalho - a coisa da velocidade das mudanças e tudo mais - mas não conseguem adaptar-se perfeitamente a ela, o que nos leva de volta à história da deriva. o homem precisa cada vez mais do trabalho e é oprimido por este [um pouco marxista demais pro meu gosto, se você quiser saber]. ele precisa se relacionar com os outros, mas a relação só sobrevive enquanto é superficial1.

ética e emocionalmente à deriva. isso não é forte demais? às vezes eu acho que os intelectuais e a mídia, de forma geral, subestimam as pessoas, tanto as do lado mais forte (ou seja, os patrões maus e exploradores) quanto as do lado mais fraco (nós, resumidamente). parece que o livre-arbítrio simplesmente deixa de existir, ou então que o todo, que é mais que a maldita soma das partes2, é realmente algo poderoso e opressor.
eu concordo (e vejo!) a maioria dessas coisas, mas tendo a achar que a constante troca de emprego das pessoas não é meramente imposta pelo capitalismo, que é mais um catalisador ou um ponto de partida, do meu ponto de vista. se as pessoas quisessem continuar ficando 40 anos no mesmo emprego ou casados com a mesma pessoa, ficariam. tanto que tem quem ainda fique.
fato é, o capitalismo poderia se desfazer em milhões de pedacinhos (que passe um anjo e diga amém) ou ficar muito tempo no mesmo emprego poderia voltar a ser normal, ainda assim a maioria das pessoas continuaria trocando de emprego em intervalos regulares. o que aconteceu3 é que o capitalismo favoreceu uma tendência que as pessoas já tinham, mas que antes não era bem vista como agora. depois que pular de galho em galho passou a ser tomado como demonstração de características (agora) desejáveis, como audácia, não-acomodação ou qualquer outra assim, geral começou a fazer o que sempre queria ter feito, que é se livrar que quaisquer raízes ou responsabilidades. para mim, isso é muito mais deliberado do que se costuma acreditar. as pessoas gostam de não ter compromissos ou de tê-los apenas a curto prazo, tenho certeza.
eu e os textos sem fim, viu…

1 ele fala isso sobre as relações de trabalho, mas acho que não há problema em dizer que esta regra vale para as relações sociais em geral - ao longo do livro, o autor parece dar indícios de que concorda com essa idéia.
2 coisa que a gente aprende no primeiro ano das ciências sociais e nunca mais deixa de ouvir nos anos seguintes, mas há controvérsias, como em tudo nessa vida. e o “maldita” é por minha conta.
3 é opinião. não tenho como provar. aliás, tudo isso é especulação, por isso a categoria se chama “sociologia de boteco” e não simplesmente “sociologia”.

cara, de repente deu vontade de assistir don juan de marco de novo… alguém explica?

24.07.07

da ausência de maiores explicações sobre o universo em geral

meu recato em compartilhar as coisas, principalmente as boas, não é um recato puro e simples. sim, eu sou tímida e isso explica 50% do meu não falar. o resto se explica, eu acho, por um sentimento um pouco parecido com medo, que me dá a impressão de que o que é bom se esvai um pouco cada vez que a gente se expõe [acho que dá pra fazer um paralelo antropológico (de boteco) com aquela história dos índios que acham que suas almas são capturadas se alguém tira uma foto sua, mas aí já é viagem demais].

acho que prefiro continuar exorcizando o que é ruim ao meu jeito e não pensando demais no que não é - porque pensar demais torna qualquer coisa ruim, até chocolate.

23.07.07

será que esses fantasmas vão sumir algum dia? eu sempre acho que eles foram embora de vez, mas algum deles sempre acaba dando o ar da graça vez por outra. é a volta dos que não foram, literalmente.

autocontrole e menos choro, por favor.

17.07.07

eu tinha pensado em ficar sem escrever por aqui por algum tempo, ou ao menos sem publicar, mas já me disseram muitas vezes que falar do que incomoda é bom, então vou tentar abstrair do fato de que me incomoda falar do que me incomoda, por medo que isso possa incomodar mais alguém. loucura? é possível que sim.

não sei explicar exatamente por que tenho tanto problema com ficar sozinha. sim, eu sei que quase ninguém gosta, mas isso me atinge de um jeito que eu não consigo absorver o impacto nem com muita boa vontade. é como se fosse uma ferida exposta - ou eu exposta, como num daqueles pesadelos que todo mundo já teve. eu não nego ter uma visão distorcida de mim mesma, mas quando sozinha meus defeitos me parecem tão gritantes que eu me pergunto como é que as pessoas não atravessam a rua quando eu estou passando. ok, não nestes termos, mas deu para entender.
fica uma névoa tão grande que estar sozinha é muito mais uma questão dos meus problemas em aceitar quem eu sou (que é o que faz com que eu ache que qualquer coisa errada ao meu redor é culpa minha), do que de quem mais está no cômodo além de mim (ou online no msn, etc.). o primeiro passo, percebi depois de pensar milhões de vezes nisso, é não associar estar sozinha com não valer a pena. o problema é que isso já está tão arraigado na minha cabeça e no senso comum que me parece impossível.
é tão angustiante que às vezes parece que ter outras pessoas por perto piora a situação, ironicamente. porque das duas, uma: ou não adianta nada, assim meio sozinha-na-multidão, ou porque fica a impressão de que eu dependo mais dos outros do que meu orgulho me permite aceitar (vide o antepenúltimo post). nesse último caso, eu acabo entrando num círculo vicioso do qual tenho uma dificuldade enorme para sair: me sinto sozinha, me faço de forte e não falo com ninguém, me sinto mais sozinha por não falar com ninguém e assim tem sido desde que o samba é samba.

o fato é que eu lido muito mal com isso e não sei concluir meus raciocínios.

16.07.07

acho que eu me empolguei um pouco demais nessa viagem em meu próprio umbigo, tanto que sinto que não consigo mais sair. tenho medo de virar uma daquelas pessoas que só sabem falar de si mesmas. irônico, porque eu sempre achei - e ainda acho - que não tem nada sobre mim que deva/precise ser dito.

14.07.07

acho que se agarrar às pessoas como se elas fosse tábuas de salvação não é uma boa coisa, né?

12.07.07

self-torture

tem várias notas que eu deveria deixar a mim mesma nesse blog. lista de músicas que eu não deveria ouvir, recomendações quanto ao uso moderado do orkut e das informações que podem ser obtidas através dele, palavras de motivação, dicas de beleza, plano de estudos, agenda dos compromissos semanais, lista de compras, livros lidos/a ler, métodos para fazer amigos e influenciar pessoas, aquela coisa toda.

***

sempre nas férias me ocorre a idéia de que grande parte dos meus problemas é causada por falta de organização [nota: eu sempre passo por fases de achar que meus problemas têm uma causa só e que é tudo uma questão de descobrir o que é e pronto, só ir à feira comprar uma solução], pensamento obviamente favorecido pela zona que fica o meu quarto depois de eu ter passado um semestre inteiro só dormindo nele e usando o coitado como depósito. chega julho ou dezembro, depende de quais férias estamos falando, o quarto virou um inabitável ninho de mafagafos (geralmente eu começo a achar isso quando tento tirar as coisas de cima da cama para poder dormir e descubro que no chão não tem mais espaço), de forma tal que eu acabo me sentindo coagida a arrumar. veja bem, EU, vencendo a leseira e arrumando coisas, sem intervenção (leia-se: encheção de saco) da minha mãe. um acontecimento bissexto, com certeza. aí eu arrumo tudo e descubro que isso não fez com que eu dormisse melhor ou que eu estudasse de verdade - e pasmem, nem para fazer mamãe parar de reclamar -, só ajudou a passar o tempo de uma tarde. o que, convenhamos, é bastante coisa para quem não tem nada para fazer nas férias.

categoria: música

so let go, just get in
oh, it’s so amazing here
it’s alright
‘cause there’s beauty in the breakdown

[frou frou - let go]

juro que paro de postar músicas qualquer dia desses.

08.07.07

solidão de sentimento e solidão de fato. ótimo.

07.07.07

então, né.

odeio gente nos blogs da vida que diz escrever ficção mas, se você for ler com cuidado, eles escreveram sobre si mesmos. às vezes deixam até escapar umas referências óbvias, situações metafóricas que obviamente mascaram situações reais. eu, claro, não sou contra que se escreva sobre si mesmo, mas né… custa nada falar que as coisas não saíram da sua cabeça mas sim aconteceram. biógrafos (mesmo quando a biografia é meio fantasiada) também são escritores, só pra constar.

isso dito, aviso que o post abaixo é realmente fictício - nunca aconteceu nem nunca acontecerá - , mas os personagens são reais. pelo bem da humanidade, não direi quem são. ha.

excerto de uma briga

categoria: quase ficção

e posso falar só mais uma coisa? você não sabe amar. você não ama ninguém, nunca. seu ele nunca é o mesmo ele, ninguém nunca é especial, ninguém tem uma cara, um cheiro, um jeito - a não ser que você invente. você não se entrega, você só toma o que parece estar à sua disposição. você usa, usa, até cansar. você não conhece ninguém de verdade. você só sabe projetar esse seu enorme ego em cima dos outros e finge estar amando outro quando, na verdade, está amando a si mesma. você faz dos outros um espelho no pior sentido. condena quem se aproxima de você por defeitos que não são deles, mas seus. eu tenho pena deles, sabia? acham que descobriram algo, mas estão sendo enganados, o que faz do seu séquito um séquito de idiotas. você acha isso lisonjeiro? pois é tão idiota quanto eles. idiota sou eu também, gastando minha saliva e meu tempo com você. porque você é assim, usa até quem você não conhece: engana, trapaceia e rouba. se apropria e finge que é seu. quer saber? você não é nada. você acabou de deixar de existir.

[não sei se a briga pára por aí]

edit: quem de dentro de si não sai/vai morrer sem amar ninguém.

prolixo

não consigo dissociar na minha cabeça prolixo e pró-lixo. quando eu não sabia o que prolixo queria dizer, seguia uma lógica torta e achava que significava gostar de lixo, ser pró-lixo, portanto. hoje, considerando o tanto que eu me vejo submetida à encheção de lingüiça generalizada, acho que não estava tão errada assim em associar prolixo e pró-lixo: o que mas tem por aí é gente que fala muito e não diz nada, que reproduz mais do que absorveu - não por ter criado algo, mas por ter enrolado.

e a fina ironia da vida me permite criticar coisas inúteis em um blog. adoro isso.

05.07.07

grey gardens

edie: i missed out on everything (…). i don’t know. i think it would have been a lot of fun.
mrs. beale: yeah, everything’s good that you didn’t do. at the time, you didn’t want it. you can’t go back and say “oh, why didn’t i do this?'’. because you didn’t feel then the way you do now. everybody thinks and feels differently as the years go by, don’t they?

do contra

não gosto de fins de semana e acho que também não gosto de férias.

sobre:
carol, 23.
i'm a breather, mail receiver,
bottom feader, just getting by.

carol arroba mail.nu

antes de ler qualquer coisa, leia isto.

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