30.08.07
chegar a um ponto de não retorno é sempre uma coisa difícil. não gosto de ser obrigada a constatar que é só uma questão de tempo para que tudo deixe de ser como é agora. mudanças são inevitáveis, é verdade, mas não tem como não sentir alguma dor por saber que elas serão negativas dessa vez.
o pior de tudo é a impotência: não posso fazer nada além de reclinar a cadeira e ver o mundo acabando.
não se se eu agüento.
29.08.07
and if a double-decker bus
crashes into us
to die by your side
is such a heavenly way to die
and if a ten-ton truck
kills the both of us
to die by your side
well, the pleasure,
the privilege is mine
[the smiths - there is a light that never goes out]
um jeito trágico de se dizer as coisas, mas vá lá.
o privilégio é realmente meu. obrigada por tudo, amo você.
28.08.07
é, voltei mesmo à adolescência: dores de cabeça permanentes, ataques histéricos, sonhos que me fazem acordar cansada/com raiva/triste e preguiça generalizada. acho que vou aproveitar a onda e prestar vestibular de novo.
25.08.07
em tempos de medo do imponderável, abraçar um sapo de pelúcia será o suficiente para abafar os sentimentos ruins?
eu poderia falar sobre o assunto, mas eu estou tentando não pensar nisso. não está dando muito certo, fato ilustrado pela mera existência desse post.
21.08.07
quando esqueço a hora de dormir
e de repente chega o amanhecer
sinto a culpa que eu não sei de quê
pergunto o que que eu fiz?
meu coração não diz e eu…
eu sinto medo!
eu sinto medo!
se eu vejo um papel qualquer no chão
tremo, corro e apanho pra esconder
medo de ter sido uma anotação que eu fiz
que não se possa ler
e eu gosto de escrever, mas…
mas eu sinto medo!
eu sinto medo!
tinha tanto medo de sair da cama à noite pro banheiro
medo de saber que não estava ali sozinho porque sempre,
sempre, sempre…
eu estava com deus!
eu estava com deus!
eu estava com deus!
eu tava sempre com deus!
minha mãe me disse há tempo atrás
onde você for deus vai atrás
deus vê sempre tudo que cê faz
nas eu não via deus
achava assombração, mas…
mas eu tinha medo!
eu tinha medo!
vacilava sempre a ficar nu lá no chuveiro, com vergonha
com vergonha de saber que tinha alguém ali comigo
vendo fazer tudo que se faz dentro dum banheiro
vendo fazer tudo que se faz dentro dum banheiro
para
nóia
dedico esta canção:
para nóia!
com amor e com medo…
[raul seixas - paranóia]
mais pelo valor sentimental do que por qualquer outra coisa. e não é mesmo o sentimento que vale mais, no fim das contas?
essa música especificamente é muito infância (não tenho muitas lembranças de infância sem raul tocando ao fundo), eu sempre achei que deus fosse mesmo uma assombração, afinal de contas, ele via tudo e eu não o via… quer algo mais assustador? coincidência ou não, acreditar em deus e ter medo do escuro foram duas coisas que sumiram simultaneamente da minha vida.
18.08.07
como não achar que a vida que levamos, as coisas que fazemos (e destruímos) não são patéticas? a gente se espreme no ônibus para depois se espremer na cova (”ah, mas eu quero ser cremado(a)!” - permita-me a licença poética, sim?). para quê?
mais do que isso: por que as pessoas teimam em ser cuzonas umas com as outras, sabendo que estamos todos nessa mesma bosta fedida? não sei se a palavra para isso é humildade, mas fica sendo ela por agora. dá tanto trabalho assim não parar seu audi na faixa de pedestres? você vai chegar tão absurdamente atrasado(a) no trabalho se ficar na fila para entrar no ônibus/metrô ao invés de furá-la?
minha paciência com vocês está acabando, seres humanos. quem avisa, amigo é.
esse sim é um post digno da categoria “filosofia de boteco”.
and you might say it’s self-inflicted
but you see, that’s contradictive
why on earth would anyone practice self destruction?
(…)
makes me want to give myself a beating.
[the dresden dolls - bad habit]
17.08.07
acidentes de trânsito, terremotos, desvio de verbas, prazos de entrega, taxa de juros, disco novo dos white stripes, madeleine e priscila belfort, crédito imobiliário, latrocínio e estelionato.
enquanto isso, eu sigo vendo só o que me convém.
14.08.07
quando eu era mais nova, gostava do cansaço que eu sentia depois de fazer algo útil, como arrumar meu guarda-roupa ou ajudar meu pai a lavar o carro.
não sei se é egoísmo, mas hoje em dia vejo muito mais graça no cansaço que sinto depois de fazer algo por mim - e fazer algo por mim é muitas vezes fazer algo para outros, mas sem nenhum compromisso com utilidade ou qualquer outra coisa parecida.
11.08.07
não adianta a luz apagada, o ritual de pôr as cobertas na cama, a tevê desligada, o silêncio, o bibelô na estante. não adianta contar carneirinhos ou o que quer que seja, não adianta listar os afazeres do dia seguinte, não adianta a música sonolenta tocando num volume sonolento. as pálpebras podem pesar o quanto quiserem, há algumas noites em que é simplesmente impossível fechar os olhos.
ou ainda que se fechem os olhos, nada muda ou melhora: os olhos fechados lembram que você deveria estar dormindo, mas não está. você pensa: “estou dormindo” e repete isso para si mesmo numa tentativa de acreditar (ou de transformar a frase em sons sem sentido, como num mantra) e dormir, por fim. não funciona.
você pensa em levantar e buscar algo na cozinha - mas não será pior levantar-se? o pouco de você que está descansando, seus músculos, será posto em movimento, o que possivelmente lhe deixará ainda mais agitado. uma pena, porque seria bom beber um pouco de água, não? seria, se depois não viesse a vontade de ir ao banheiro que, maldosamente, chegaria assim que você conseguisse desligar o cérebro por alguns minutos, o que o obrigaria a acordar e correr o risco de não conseguir adormecer de novo.
enquanto duram os pensamentos tontos, ainda está tudo mais ou menos bem. o problema começa quando surgem as questões existenciais, desde as que concernem seu futuro profissional, passando por aquelas sobre a atração que você exerce ou não sobre o sexo oposto (ou sobre o mesmo sexo, vá lá), chegando àquelas sobre o medo de ter visto alguém querido ontem pela última vez, porque essa pessoa pode ter um ataque cardíaco, ser atropelada ou bater a cabeça no meio-fio e pronto, adeus.
se há outras pessoas na casa ou no quarto, tudo piora. os outros dormem, você não. a respiração lenta e compassada deles é como uma britadeira na sua cabeça: os outros dormem, você não. há ainda as outra casas e pessoas em volta: todos dormindo. sono, o precioso sono que você simplesmente não tem, que talvez tenha comido por engano no jantar, perdido no meio do arroz. a cabeça começa a doer um pouco.
mesmo que você durma agora, serão só três horas, muito menos do que você precisa para estar disposto no dia seguinte. será melhor tentar dormir essas poucas horas ou tentar ficar acordado logo de uma vez? será que você agüenta ter o gosto daquela saudosa sensação de se perder no nada para ter que abrir mão dela segundos depois (sim, porque parecem ter sido apenas cinco segundos que se passaram entre o momento em que você dormiu e o momento em que o despertador toca)? de qualquer jeito, tarde demais: hora de levantar.
faz tempo que não tenho uma boa insônia, daquelas de ver o nascer do sol e sentir que o mundo começou a girar para o lado errado. e eu estava mesmo devendo um post sobre ela, talvez a coisa mais constante na minha vida. e sabe que eu meio que já gostei de ter insônia (a palavra-chave aí é meio)? a depender da importância do que eu tinha que fazer no dia seguinte e do horário que eu deveria/poderia acordar, claro. teve uma época que eu cheguei mesmo a achar que não conseguia dormir porque não queria dormir, preferia ficar acordada, matutando besteira. seria o mesmo que dizer eu gosto de ver descarrilamento de trem, né? insônia é uma BOSTA, isso sim. tem lá sua poesia, pena que eu não saiba/tenha saco para vê-la, mesmo porque não dormir deixa a gente entorpecido demais para conseguir fazer isso.
será a desimportância ilusória ou real?
eu nunca vou conseguir sair da casa dos meus pais, sendo “nunca” um período iniciado com o meu nascimento e que durará pelo menos até meus 30 anos.
04.08.07
a culpa é uma coisa engraçada, não?
é algo que eu sei que, mais cedo ou mais tarde, vai se transformar em uma mera lembrança desagradável. mas quando a coisa é recente, parece que dói um pouquinho toda vez que eu penso. além de doer, dá também vontade de sumir temporariamente da face da terra e do alcance das vistas e dos comentários das pessoas. e ainda tem essa paranóia de achar que as pessoas realmente estão comentando (como se eu fosse importante desse jeito), né? a timidez reforça um pouco isso, já que a impressão que fica é que uma piada enorme sobre mim está sendo contada. nada no mundo faz crer que não está de fato… até a hora em que eu finalmente esqueço (isso se não houver quem me lembre da cagada - quase sempre há).
ressaca moral, ainda ela.
um homem com uma dor
é muito mais elegante
caminha assim de lado
como se chegando atrasado
andasse mais adiante
carrega o peso da dor
como se portasse medalhas
uma coroa, um milhão de dólares
ou coisa que os valha
ópios, édens, analgésicos
não me toquem nesse dor
ela é tudo o que me sobra
sofrer vai ser a minha última obra
[itamar assumpção - dor elegante]
eu vivo reclamando de coisas superestimadas nessa vida, mas esse aí de cima foi muito subestimado enquanto vivo e mesmo agora, depois de sua morte, ainda não teve o reconhecimento que merecia. essa música aí é dele com o leminski.
03.08.07
tudo o que eu tenho a dizer nesse momento é: que bosta.
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