30.11.07
aí que um dia - eu ainda estava no ensino médio -, numa daquelas minhas idas solitárias ao cinema do shopping em dia de semana, passei por uma loja de cds e, sendo eu quem sou, entrei. sendo eu quem sou ao quadrado, fui direto na gôndola dos cds por menos de dez contos e comecei minha fuçação (?) usual. tinha lá um cd do no doubt, o return of saturn, por uns oito reais. tinha uma música que eu ouvia bastante no rádio no fim do ginásio/fundamental, ex-girlfriend. eu nem gostava tanto assim de no doubt (don’t speak já tinha me enjoado o suficiente), mas, por causa da música, acabei levando o cd.
no fim das contas, ele me acompanhou até a formatura do colégio: tocava enquanto eu lia mangá. tocava enquanto eu estudava matemática. tocava quando estava frio, tocava quando estava calor. quando eu estava de tpm. tocava quando eu estava ouvindo e quanto eu não estava*. achava estranho a obsessão da moça com casamento, mas va lá, ela estava falando do gavin rossdale, quando ele ainda era bonito. fora que a vida dela parecia bem mais emocionante que a minha - porra, ela tinha cabelo rosa! muito para a cabeça de uma tontinha de 15 anos que tinha dificuldades para convidar o carinha de quem era a fim para tomar um sorvete na esquina do colégio.
eu continuava não gostando muito de no doubt e achando que aqueles skazinhos que eles tocavam em 1997 eram melhores que as tais músicas sobre casamento. mas nada me fazia largar daquelas 15 faixas (ok, 14, tinha uma que eu sempre pulava). peguei o cd para ouvir agora, depois de um bom tempo, porque li em algum lugar que a gwen acabou de vez com aquela carreira solo dela (que tem lá seus momentos divertidos, mas são coisas que eu esperaria da britney spears, não da gwen stefani) e o no doubt vai voltar. quem sabe quando o cd estiver lá na gôndola de dez pilas eu compre…
o mais legal é que no disco tem uma meta-música, que diz justamente o que eu sinto toda vez que ouço esse disco que, apesar de ser a trilha sonora de uma fase meio furreca da vida, costuma trazer um saudosismo bom:
don’t let it go away,
this feeling has got to stay.
[no doubt - new]
acho que dá para perceber que a minha relação com a música é mais afetiva do que qualquer outra coisa, né?
* claro que isso não acontecia só com esse disco, mas ele realmente era uma bom som de fundo.
27.11.07
estou começando a me sentir um tanto humilhada pelo fato das pessoas não me verem. quando um estranho me atropela na rua ou no ônibus eu até entendo, por mais que não goste. as pessoas têm pressa e às vezes não dá tempo de olhar o que/quem está no caminho.
agora, quando eu estou no saguão da faculdade ou em qualquer outro ambiente familiar do tipo e uma pessoa conhecida passa por mim (pior ainda, me olha) e simplesmente não vê, aí é foda. então, conjecturo: será que todos esses anos de menosprezo de dentro para fora se tornou algo real (ou de fora para dentro, para quem é chato o suficiente para achar que o real no ecsiste)? sendo mais direta, será que eu de fato virei, como andam dizendo por aí, invisível?
e não, eu não ser vista não tem nada a ver com o fato de eu ser pequena.
20.11.07
- não pegar matérias cujos nomes comecem com a palavra “temas”: isso significa que ou o professor viaja muito, ou viajo eu. em ambos os casos, quem lucra é a tia que vende café;
- não pegar matérias de assuntos moderninhos ou alternativos, como moda ou cinema: aparentemente, é preciso ser cuzão e terrorista para ministrar esse tipo de disciplina. além disso, esse tipo de professor costuma atrair alunos que se acham melhores do que ele (e que a faculdade, que a universidade, que a cidade, etc.), e só quem convive comigo para saber como isso me irrita;
- vontade de trancar matérias é coisa que dá e passa: de qualquer jeito, trancar matérias quase nunca é um bom negócio;
- matéria picareta é uma faca de dois legumes: dá aquele gosto de levar sem pagar, mas às vezes o sofrimento (leia-se: sonolência, tédio e sensação de perda de tempo precioso da vida) não compensa;
e por último, mas não menos importante:
- o fato de eu ser estudante do ensino superior não implica que eu saiba fazer coisas simples como amarrar cadarços ou não fechar o browser antes de salvar um post.
19.11.07
rapaz, como eu ando chata.
17.11.07
eu não gosto da janis joplin. eu até gosto de uma ou outra música, mas aquela voz que emana álcool, cigarro e filha-da-putice não tem graça nenhuma para mim. superestimada até a raiz do cabelo ensebado. pronto, falei.
15.11.07
e eu ainda não consegui evitar que a tristeza nasça de coisas estúpidas.
o lula deveria aprender a ficar quieto às vezes. ignorâcia é a felicidade da oposição, meu filho. cadê seus assessores, aliás?
11.11.07
chato isso de ficar botando na cabeça que eu preciso disso ou daquilo. eu sei que não preciso perder dois quilos, nem de um cachorro, nem viajar nas férias [mas eu vou, hein], nem de uma câmera, nem de cds importados, nem de mais tempo para gastar… eu preciso de muito pouco, na verdade. mas continuo teimando, queimando mufa, perdendo tempo, querendo dar passo maior que minhas pernas.
devia é ir para um mosteiro, me desapegar dessas coisas doidas e rever minhas prioridades.
[* de: aimee mann - save me]
02.11.07
parabéns ao meu vizinho que, depois de alguns anos enchendo o saco de todo mundo com smoke on the water (que, além de tudo, eu não gosto e ele tocava mal), resolveu aprender a tocar sultans of swing. melhora tripla, pela mudança de repertório, pela música que não me irrita e pelo fato de ele ser muito melhor nessa do que na outra. quase voltei a acreditar na humanidade, hein.