31.05.08
rascunho de 06/04/2008. não li para evitar arrependimentos (chega disso, por favor!).
coisas ruins me perseguem na rua, em casa, se escondem embaixo da minha cama (às vezes babando), aparecem nos sonhos, se esfregam na minha cara nos fatos, me incomodam nos livros, grudam atrás nas minhas pálpebras, se disfarçam nas letras e nas melodias, impregnam minhas roupas e me atormentam até eu dizer “chega”. mas nunca chega. nunca chega…
desafiando minha incredulidade, coisas boas sobrevivem (e vivem, até). mas alguma coisa impede que as tais coisas boas se transformem em algum tipo de alento.
here i stand, sad and free
i can’t cry and i can’t see
what i’ve done
oh god, what have i done?
[ben folds five - evaporated]
fazer o bem pra expiar a culpa é de fato fazer o bem?
edit: ok, não tão pílula assim.
é óbvio que o tempo passa, as pessoas vão embora e as coisas mudam. todo mundo sabe. o problema é que isso tem me deixado exageradamente aflita. eis que hoje eu resolvo fazer algo com isso em mente, algo que é bom para outra pessoa, de quem eu gosto muito e que me agradeceu pela iniciativa. ótimo, se eu não tivesse me sentido um lixo ao lembrar dos meus motivos não nobres para fazer isso, sendo o principal deles o medo (sempre ele…). em suma, o que era para melhorar, piorou.
29.05.08
eu sou sumariamente ignorada até na internet! mágico.
não ando íntima nem de mim.
20.05.08
qualquer dia desses morro afogada no despeito.
17.05.08
dormir anda difícil. deito a cabeça no travesseiro e só me ocorrem pensamentos ruins. tento então pensar em coisas que não chateiem: me agarro a lembranças desimportantes e pouco comprometedoras, para não piorar a situação. a barra puída do uniforme escolar, o esconderijo debaixo da cama, o gosto do café do cursinho, a primeira vez que eu ouvi esta ou aquela música. a verdade é que mesmo essas miudezas já foram tão repensadas e repisadas por mim que já não lembro mais delas: são puras racionalizações, que podiam muito bem ser de outra pessoa. não há mais nada de meu ali. eu já não lembro da sensação que tinha ao chegar antes na sala de aula vazia, de ir pisando nas tábuas que rangiam, de sentar no tablado para tomar um pouco de sol. eu não lembro, eu sei. minhas miudezas não têm mais coração. tudo o que eu faço é sentir medo porque essas miudezas vão se esvaindo comigo e eu não sei dizer quem acaba antes.
a cabeça pesa no travesseiro e continua sem dormir.
já faz algum tempo que eu me privei (ou devo dizer que voltei a me privar?) do direito de ser sincera. tudo tem sido dito e vivido pela metade ou menos que isso. tenho habitado os subterrâneos (sem pretensões dostoievskianas, por favor) e me sujeitado a todo tipo de humilhação, às vezes vinda de mim mesma, por pura falta de vontade de sair dessa inércia. e continuo alimentando a idéia que me acompanha desde criança: lá no começo de tudo um segredo foi contado aos outros e não a mim. desde então, estou sempre um passo atrás, por fora do que acontece, incapaz de me integrar com o que/quem quer que seja - isso explicaria perfeitamente meu atraso real na vida, meus 22 anos que poderiam em muitos sentidos passar por 14 (exceto pela capacidade de alimentar esperanças que eu tinha aos 14 anos e que me garantia uma certa vitalidade, aquela coisa idiota do brilho no olhar). fui privada e me privei de tantas coisas que é difícil acreditar numa retomada ou em uma vida normal em qualquer tempo.
nada pior do que a sensação de ter sido esquecida ou abandonada.
16.05.08
depois das 21h você pode expor quem você quiser a situações degradantes.

embaçada? eu chamo de artística
uma semana de rufus, tô me sentindo uma viúva.
pega aí:
rufus wainwright - the art teacher
+
rufus wainwright - beautiful child
rufus wainwright - across the universe
essas não foram tocadas no show, mas já que estavam no servidor…
impressionante como uma sexta-feira pode ser ao mesmo tempo tão parecida e tão diferente da outra.
o que fode de verdade é não ter dinheiro pra me dar um presente de consolação.
15.05.08
cena 1: onze horas da manhã, ponto de ônibus no centro da cidade. três garotos berram e correm pela avenida, cada um com um saquinho de cola nas mãos. os transeuntes apertam com mais força suas bolsas e mochilas e fingem não ver nada.
cena 2: onze horas da noite, ponto de ônibus na periferia da cidade. um camelô tem sua barraquinha de bijuterias destruída pelos cacetetes de agentes do metrô e policiais. ele chora e corre para longe. uma mulher aproveita a confusão para roubar alguns brincos.
e aí, fazer o quê?
11.05.08
03.05.08
pausa, antes que isso aqui vire uma putaria.
eu me sinto uma idiota o tempo todo.
01.05.08
por que tem sempre que ser com os outros?
e sem mim?