(…) [C]oncluímos que os livros de Graciliano Ramos se concatenam num sistema literário pessimista. Meninos, rapazes, homens, mulheres; pobres, ricos, miseráveis; inteligentes, cultos, ignorantes - todos obedecem a uma fatalidade cega e má. Vontade obscura de viver, mais forte nuns que noutros, que os leva a caminhos pré-traçados pelo peso do meio social, físico, doméstico. A vida é um mecanismo de negaças em que procuramos atenuar o peso inevitável dessas fatalidades: e parecemos ridículos, maus, inconseqüentes. Às vezes somos fortes e pensamos esmagar a vida; na realidade, esmagamos apenas os outros homens e acabamos esmagados por ela. Nada tem sentido, porque no fundo de tudo há uma semente corruptora, que contamina os atos e os desvirtua em meras aparências.
CANDIDO, Antonio. “Ficção e confissão” in Ficção e Confissão - Ensaios sobre Graciliano Ramos. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1992.
por essas e outras que Graciliano é minha alma gêmea. merece até a letra maiúscula.
[quem sabe agora eu comece a postar as referências completas das citações…]

e, cá pra nós, ler Candido é invariavelmente sentir roubada uma idéia nossa que não tínhamos ainda expressado, mas sentido; e o gosto amargo na boca das leituras do Graciliano vicia. maiúsculas pros dois.
Comment by rok — 14.06.08 @ 11:18