pensando no passado e no presente das pessoas e situações que me cercam, percebi que eu definitivamente me cerquei ou me deixei cercar pelas pessoas erradas - não que eu queira com isso dizer que sou a pessoa certa, claro. por algum motivo, eu pareço atrair pessoas que precisam de um contâiner de auto-afirmação e costumam pisar em cabeças alheias para consegui-lo. fora aqueles que cultivam preconceitos que deixam escapar em uma ou outra fala e que geralmente têm por objeto justamente o tipo de pessoa que eu sou (sentido estrito, amplo, físico, metafísico…), além dos que acham que meu ouvido é penico (talvez seja mesmo).
agora acredito que ter me mantido próxima dessas pessoas tenha sido parte da minha falta de auto-estima. aliás, creio que eu tenha feito esforços inúteis e dolorosos para manter tais amizades não em nome das outras pessoas, mas de mim mesma. sabia que eles me faziam mal, mas a idéia de ficar sozinha me parecia sempre muito pior. precisava deles para poder acreditar que eu não era de todo mal, como pensava (e penso).
o que me leva a pensar que, talvez, os vínculos que se romperam a despeito do meu esforço para conservá-los, devam mesmo ficar no passado. não vale a pena ficar rastejando por esse tipo de atenção. o problema é que eu não estava preparada para essa fase de transição (que parece permanente), de me ver, de repente, sem amigos. ao invés de me sentir livre de uma situação degradante, me sinto abandonada. é estranho.
de qualquer maneira, sinto falta de fazer algo mais que passar superficialmente pela vida das pessoas.

melhor apenas uma presença, desde que profunda e sincera, do que várias, principalmente se fúteis e vazias. Deixe o tempo dizer com suas mãos que queimam aqueles que apenas terão uma leve vermelhidão e aqueles que se queimarão profundamente.
Comment by Leandro — 21.07.08 @ 00:55
gostei do que o chaps disse e do que o que você escreveu.
é bom ver que você se culpa menos, agora.
Comment by bea — 21.07.08 @ 01:37
Nooooooosssaaa Carol, aí, sem palavras.(Mas continuo)
Me sinto feliz de você ter exposto em tão belas palavras, junto com o seu gnomo, os meus (seus) sentimentos, e portanto transformando-os em algo mais digno de crítica.
Mas, cá entre nós, eu aprecio muito ver como esse sentimento de permanência da solidão e desamparo insiste em se fazer real. É lindo ver como uma ilusão pode surgir tão naturalmente. Porque, afinal, nada é permanente.
Até amanhã (Porra, é hoje…)
Comment by Trops — 21.07.08 @ 05:13
Eu me identifiquei MUITO com este texto.
Comment by marjorie — 21.07.08 @ 10:01
Oi, Carol. Gostei tanto desse post que aproveitei a manhã para ler seu blog inteiro. Foi para os favoritos, sem dúvida.
Comment by Kinna — 21.07.08 @ 11:47