quanto mais eu penso sobre a vida, mais ela me parece uma idéia incrivelmente estúpida. e quanto mais estúpida parece, mais medo eu tenho dela. o que não é nada prático quando se tem um milhão de coisas a fazer e pensar. e quanto mais eu penso…
moto-perpétuo
A verdade é que todos nós precisamos de entretenimento e diversão de alguma forma, visto que somos sujeitos ao grande ciclo vital, e não passa de pura hipocrisia ou esnobismo social negar que possamos nos divertir e entreter exatamente com as mesmas coisas que divertem e entretêm as massas de nossos semelhantes.
ARENDT, Hannah. “A crise na cultura: sua importância social e política” in: Entre o passado e o futuro. São Paulo: Ed. Perspectiva, 2007.
grey matter
confesso: me deixei paralisar pelas adversidades da vida. não que as da minha vida sejam muito graves, mas parece que de uma hora para a outra sumiram os instrumentos que eu tinha para lidar com elas. além de parecer criança, eu agora cada vez mais me sinto cada vez mais como uma criança, absolutamente despreparada para qualquer desafio que surja. isso sem falar naquelas coisas que eu não consigo superar - e olha que eu não faço muito mais da minha vida além de tentar - e que aparentemente serão pedras eternas no meu sapato metafísico.
história da minha vida
queria dizer algo, mas não me ocorre nada que me pareca bom o suficiente para ser dito.
umas e outras
as soluções são cada vez mais temporárias e tão firmes quanto um castelo de cartas, e a passagem do tempo só torna tudo ainda mais assustador que de costume. ainda mais agora que, por mais que todo mundo tenha palpites, a decisão é minha, só minha.
ao mesmo tempo, me sinto cada vez mais longe de ter o controle da minha própria vida. o que é engraçado, quando penso que desde sempre eu ouvi que aconteceria o contrário: quanto mais velha, mais independente (independência que para mim tem sido um peso e um sonho distante ao mesmo tempo). nada mais longe da verdade e nada mais difícil de resolver, ao menos para mim.
não sei. só sei que quanto mais penso, mais me desespero.
dois em dois
sigo com meu protesto silencioso de todas as eleições: fui votar de pijamas.
there will be snacks.
realmente não me entendo: apesar de toda a incredulidade, ainda alimento a idéia de que antes da morte as verdades do universo serão todas reveladas *(ou deveriam ser, no mínimo). não que eu ache que há alguma coisa do outro lado, mas acho que todos merecemos satisfações. me parece tão óbvio que eu preciso saber o que de fato se passa nos buracos negros ou ter boas explicações para o que me acontece na vida de forma geral, que não consigo conceber o fim sem esse momento. se ele não acontecer - e eu tiver tempo de perceber -, prometo não conter a decepção.
descompasso
a vida promete bem mais do que cumpre.
a vida é feita de um rosário
que custa tanto a se acabar
por isso às vezes ela pára
e senta um pouco pra chorar.[chico buarque - umas e outras]
