25.12.08

roberto carlos e a modernidade

de uns anos para cá, peguei o costume de assistir aos especiais de fim do ano do roberto carlos - ou bob charles, como carinhosamente o chamo - na tevê. é mais ou menos sempre a mesma coisa: começa com emoções, termina com jesus cristo e passa por como é grande o meu amor por você, tem participação de alguém desinteressante ou que está fazendo sucesso no momento, bob charles de terno azul cantando “se o bem e o bem existem, você pode escolher” (lógica? serve para nada, minha gente), tudo isso enquanto sua mãe/tia/avó/vizinha canta junto e come panetone ao mesmo tempo, etc.
este ano a coisa foi levemtente diferente sem mudar a velha fórmula, para evitar emoções mais fortes nos corações das mocinhas da terceira idade. citei especificamente aquele trecho de é preciso saber viver porque uma das coisas diferentes neste especial foi que, pela primeira vez em uns duzentos anos, bob charles cantou o verso do jeito certo. claro, não abriu mão de algumas velhas alterações, como “pode até ficar maluco ou viver na solidão”, além de todas as mudanças em além do horizonte (aqui cantada com a letra original no especial de 1982). acho que existe a possibilidade de vê-lo cantando quero que vá tudo pro inferno, deve levar só mais cinco ou dez anos… além das de sempre, entraram esse ano um clássico da pornomusic brasileira, o côncavo e o convexo, além de mulher pequena, uma música da série dedicada às excluídas, que tinha ainda a música das gordinhas e das que usam óculos (juntando as três dá uns 80% da população feminina brasileira, na certa).
os convidados foram rita lee e sua trupe/família, zezé di camargo e luciano, caetano veloso e neguinho da beija-flor. tirando a participação dos filhos de francisco, que achei bem fraquinha (não porque eu não gosto deles, mas porque as músicas/arranjos escolhidos foram bem chatinhos), achei tudo bem legal. a rita lee é aquela coisa insana que a gente já conhece e aprendeu a amar. pena que o tanto de recurso digital que precisou para deixar a voz dela nos trinques me fez lembrar das músicas (?) da cher, mas isso é café pequeno. com o caetano, cantou tom jobim, obviamente. a audácia de verdade (lembrando que estamos falando de roberto carlos) ficou mesmo no samba com o neguinho da beija-flor e a bateria da escola, todos claramente emocionados. para mim, o ponto alto (que durou uns 30 segundos) foi robertão cantando uma música do caymmi que eu adoro, rosa morena (no vídeo, uma versão zecabaleirística). não esperava mesmo.
acho o bob charles um personagem muito interessante (depois que eu li a proibidona, que é bem mais baba-ovo do que eu esperava, passei a achar ainda mais) da música brasileira e, independentemente de gostos pessoais, com certeza já entrou para a história, tanto como compositor quanto como cantor. de repente ele está entrando em uma nova fase, vai saber. foi a impressão que eu tive, pelo menos (voltem aqui depois do especial do ano que vem para ver se meu lado walter mercado tem futuro). de qualquer jeito, foi o melhor especial desde que eu comecei a assistir por vontade própria.

p.s. radiohead oficialmente me aguarda em março \o/

um comentario »

The URI to TrackBack this entry is: http://rewind.blogsome.com/2008/12/25/roberto-carlos-e-a-modernidade/trackback/

  1. lol. aqui em casa ninguém topa muito o bob charles (haha), mas a minha tia em itaperuna adora, tem vários cds. taí uma coisa que também não varia muito a respeito dele são as capas de cd. com poucas exceções, é sempre a mesma cara, mesmo enquadramento, só deve mudar a posição de um ou dois fios de cabelo.

    Comment by Lety — 26.12.08 @ 12:38

RSS feed for comments on this post.

deixe seu comentario

quebra automatica de linha e paragrafo. o endereco de e-mail nao e' exibido, HTML allowed: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <code> <em> <i> <strike> <strong>


sobre:
carol, 23.
i'm a breather, mail receiver,
bottom feader, just getting by.

carol arroba mail.nu

antes de ler qualquer coisa, leia isto.

som
imagem
home



categorias:
  • assuntos extra-umbigo
  • constatando o óbvio
  • esfinge
  • faculdade
  • filmes
  • filosofia de boteco
  • futilidades gerais
  • imberbes arganazes
  • livros e citações
  • música
  • momento diarinho
  • quase ficção
  • réiva
  • recordar é viver
  • sociologia de boteco
  • Uncategorized


  • links:
    alê
    bea
    camilla
    charbak
    cynthia
    endora
    haline
    julia
    june carter
    karla
    kinna
    lety
    marina
    marjorie
    mbp
    nathaly
    rok
    vinicius


    arquivos:
  • December 2009
  • November 2009
  • October 2009
  • September 2009
  • August 2009
  • July 2009
  • June 2009
  • May 2009
  • April 2009
  • March 2009
  • February 2009
  • January 2009
  • December 2008
  • November 2008
  • October 2008
  • September 2008
  • August 2008
  • July 2008
  • June 2008
  • May 2008
  • April 2008
  • March 2008
  • February 2008
  • January 2008
  • December 2007
  • November 2007
  • October 2007
  • September 2007
  • August 2007
  • July 2007
  • June 2007
  • May 2007
  • April 2007
  • March 2007
  • February 2007
  • January 2007
  • December 2006
  • November 2006
  • October 2006
  • September 2006
  • August 2006
  • July 2006
  • June 2006
  • May 2006
  • April 2006
  • February 2006
  • January 2006
  • December 2005





  • etc.:
    login
    register

    Meta:
    RSS .92
    RDF 1.0
    RSS 2.0
    Atom
    Comments RSS 2.0
    Valid XHTML