de uns anos para cá, peguei o costume de assistir aos especiais de fim do ano do roberto carlos - ou bob charles, como carinhosamente o chamo - na tevê. é mais ou menos sempre a mesma coisa: começa com emoções, termina com jesus cristo e passa por como é grande o meu amor por você, tem participação de alguém desinteressante ou que está fazendo sucesso no momento, bob charles de terno azul cantando “se o bem e o bem existem, você pode escolher” (lógica? serve para nada, minha gente), tudo isso enquanto sua mãe/tia/avó/vizinha canta junto e come panetone ao mesmo tempo, etc.
este ano a coisa foi levemtente diferente sem mudar a velha fórmula, para evitar emoções mais fortes nos corações das mocinhas da terceira idade. citei especificamente aquele trecho de é preciso saber viver porque uma das coisas diferentes neste especial foi que, pela primeira vez em uns duzentos anos, bob charles cantou o verso do jeito certo. claro, não abriu mão de algumas velhas alterações, como “pode até ficar maluco ou viver na solidão”, além de todas as mudanças em além do horizonte (aqui cantada com a letra original no especial de 1982). acho que existe a possibilidade de vê-lo cantando quero que vá tudo pro inferno, deve levar só mais cinco ou dez anos… além das de sempre, entraram esse ano um clássico da pornomusic brasileira, o côncavo e o convexo, além de mulher pequena, uma música da série dedicada às excluídas, que tinha ainda a música das gordinhas e das que usam óculos (juntando as três dá uns 80% da população feminina brasileira, na certa).
os convidados foram rita lee e sua trupe/família, zezé di camargo e luciano, caetano veloso e neguinho da beija-flor. tirando a participação dos filhos de francisco, que achei bem fraquinha (não porque eu não gosto deles, mas porque as músicas/arranjos escolhidos foram bem chatinhos), achei tudo bem legal. a rita lee é aquela coisa insana que a gente já conhece e aprendeu a amar. pena que o tanto de recurso digital que precisou para deixar a voz dela nos trinques me fez lembrar das músicas (?) da cher, mas isso é café pequeno. com o caetano, cantou tom jobim, obviamente. a audácia de verdade (lembrando que estamos falando de roberto carlos) ficou mesmo no samba com o neguinho da beija-flor e a bateria da escola, todos claramente emocionados. para mim, o ponto alto (que durou uns 30 segundos) foi robertão cantando uma música do caymmi que eu adoro, rosa morena (no vídeo, uma versão zecabaleirística). não esperava mesmo.
acho o bob charles um personagem muito interessante (depois que eu li a proibidona, que é bem mais baba-ovo do que eu esperava, passei a achar ainda mais) da música brasileira e, independentemente de gostos pessoais, com certeza já entrou para a história, tanto como compositor quanto como cantor. de repente ele está entrando em uma nova fase, vai saber. foi a impressão que eu tive, pelo menos (voltem aqui depois do especial do ano que vem para ver se meu lado walter mercado tem futuro). de qualquer jeito, foi o melhor especial desde que eu comecei a assistir por vontade própria.
p.s. radiohead oficialmente me aguarda em março \o/

lol. aqui em casa ninguém topa muito o bob charles (haha), mas a minha tia em itaperuna adora, tem vários cds. taí uma coisa que também não varia muito a respeito dele são as capas de cd. com poucas exceções, é sempre a mesma cara, mesmo enquadramento, só deve mudar a posição de um ou dois fios de cabelo.
Comment by Lety — 26.12.08 @ 12:38