da folha online:
Em sua página no Twitter, o governador de São Paulo José Serra publicou, na última quarta-feira: “Madrugada de trabalho ao som dos Beatles. Lembrei da boa versão de ‘Across the Universe’, de Rufus Wainwright. Ouvi na peça ‘Liz’, dos Satyros”.
1. o serra tem um twitter.
2. e sabe quem é rufus wainwright.
mais uma vez, me faltam palavras.
almoço: 11h30
jantar: 0h30
tem coisas que só minha vida faz por mim.
hoje me caiu a ficha de que livin’ la vida loca. foi lançada há dez anos. DEZ ANOS. ainda bem que eu pareço ter 14 anos, no máximo.
eu estou um pouco cansada de coisas que nunca terminam. é bem possível que as coisas só realmente terminem na ficção ou com a morte (o que de qualquer forma é relativo, tanto do ponto de vista emocional quanto do ponto de vista físico-químico, sei lá), mas será possível que as coisas voltem assim, depois de anos, mesmo quando pareciam ter acabado? e geralmente não são as coisas boas que voltam - claro, porque as boas no máximo são esquecidas, nunca enterradas. mas as ruins… e é difícil perceber se os piores fantasmas são os que tomam forma de pensamentos, acontecimentos ou pessoas. são todos igualmente inevitáveis e inconvenientes, acho. a diferença das pessoas em relação aos demais é que elas podem se incomodar ao saber onde é que você realmente queria que elas ficassem, o que cria um enorme potencial pra que tudo piore ainda mais.
o problema todo é que os fantasmas vão se acumulando, nunca vão embora. e eu ainda não descobri uma boa tática de exorcismo.
acho que, no fim das contas, um blog é só um modo mais moderno de falar com as paredes.
é muito esforço para pouco resultado.
tanta lágrima,
tanta lágrima y yo
soy un vaso vacío.
[jorge drexler - al otro lado del rio]
fui à virada cultural ontem e achei melhor do que ano passado. as atrações, no geral, não eram tão interessantes quanto as do ano anterior, mas em compensação (e talvez justamente por isso) os palcos estavam menos cheios e a circulação estava mais fácil do que ano passado, quando era muito difícil andar de um show a outro ou mesmo mudar de posição durante um show. de resto, as coisas de sempre: gente bêbada, sujeira e tudo mais (ainda mais porque esse ano tinha um palco chamado “toca raul” - mais chamariz de maluco, impossível). coisas que são normais até certo ponto num evento desse porte, a meu ver. aí hoje me vem o feltrin dizendo que houve cenas de “escatologia e horror” durante a virada. peraí. eu não fiquei durante o evento todo (enquanto eu estou aqui ainda tem shows e exposições acontecendo pela cidade), mas duvido que o que quer que tenha acontecido justifique o uso desses termos e, independentemente disso, tenha sido diferente de qualquer outro evento cultural, pago ou não. sim, ainda há muito o que fazer em termos de estrutura e organização, mas acho louvável o esforço da prefeitura de continuar realizando a virada, com mudanças a cada ano. acho também que a virada cultural simboliza bem uma das coisas que eu gosto em são paulo, que é esse grande leque de coisas a se ver e fazer e de lugares a se visitar (que é o que eu mais gosto de fazer na virada: andar pela cidade à noite, vendo com outros olhos aquilo que a gente costuma deixar batido na correria dos outros dias). resumidamente, acho que a virada merece aplausos e deve continuar, mesmo com todos os problemas.
eis que na matéria da folha que eu linkei acima li os seguintes comentários:
[F]ica a sensação que 24 horas é muito para uma população “sem cultura” […].
(Clau Fer).
[I]nfelizmente, as cenas que eu vi me levaram a triste constatação de que SP não suporta eventos deste tipo. Digo até que pessoas como aquelas não merecem a oportunidade de participar de um evento desse tipo.
(juliana pires)
Enquanto as pessoas não souberem se comportar como humanos esse tipo de evento deveria ser cortado.
(Carolina Prazeres Goncalves de Castilho)
Uma pena que uma grande parcela do povo brasileiro não tenha a educação necessária para merecer um evento assim grandioso… É verdade que não se deve dar pérolas aos porcos…
(Linda Dias)
sério? sério MESMO? o problema da virada cultural é o “povo” (não a organização, o policiamento, etc…)? e a solução é não fazer o evento porque o “povo” NÃO MERECE? claro, é ridículo que todo ano a cidade vire um banheiro a céu aberto durante a virada, mas a solução é acabar com a virada? ou melhor ainda, deixar de fora os “mau educados” e só permitir que frequentem a virada os cultos, comportados e que, por um acaso, provavelmente poderiam pagar para ver esses shows e exposições em outros lugares, ao contrário dos “mau educados”, para quem a virada é uma oportunidade única (por mais que não aproveitada às vezes) nesse sentido? o buraco do vandalismo é muito mais embaixo e todo mundo sabe disso (aliás, a mesma prefeitura que organiza a virada me parece não tomar medidas reais pra resolver essas coisas), então não me venham com essa de que a culpa é dos vândalos e “ai que medo dessa gente, nunca mais vou à virada!”. o azar - e a hipocrisia classe-média - é de vocês.