agora os comentários são moderados.
edit: não vou responder aos comentários do post anterior, mesmo porque já deu para sacar que não tem ninguém disposto a ouvir nada. de qualquer maneira, esse é um blog pessoal e vai seguir assim. estava exprimindo minha opinião no meu blog pessoal e não tenho a obrigação de aturar desaforo. e quem quiser discutir educadamente é bem vindo.
viva a autocracia
(ainda) sobre progressiva, danilo gentili e outras coisas ruins
o que mais me incomoda no modo como o racismo é tratado no brasil é o mecanismo perverso usado para jogar a culpa pelo preconceito na vítima (como acontece com as vítimas de estupro), além da crença de que quem vê preconceito em vários lugares e de vários jeitos é, na verdade, paranóico e leva tudo muito a sério. afinal de contas, macaco é só um bichinho simpático e o uso dessa palavra para se referir a uma pessoa negra não quer dizer nada, o negro não chega à universidade porque não se esforça o suficiente e o fato de o cabelo liso ser o supra-sumo do ultra-pop capilar é mera coincidência. NOT.
é muito frustrante para mim quando as pessoas acham que eu, negra, moradora da periferia de são paulo e (ex-)estudante de uma universidade pública sou a prova de que “todo mundo pode, é só querer”. isso é muito, muito mau. não só porque eu sei o quanto foi difícil para mim chegar onde cheguei e porque sei que tive muitos fatores a meu favor que outras pessoas negras não tiveram (como a oportunidade de fazer um bom cursinho), mas porque eu olhava para os lados na aula e me sentia um espécime raro. isso não deveria acontecer em um país que tem tanto orgulho de ser uma democracia racial e fica mais longe disso a cada vez que essa expressão é dita (mesmo porque essa democracia racial provavelmente começou com um estupro).
imagino que seja difícil para uma pessoa que não é negra entender como o racismo afeta uma pessoa que é alvo dele. de qualquer jeito, acredito que isso não seja empecilho para que se constate o fato de que ele existe e está em vários lugares, das revistas de moda à distribuição de renda. eu tenho noção de que muito da minha baixa auto-estima tem a ver com isso, mas temo por quem não sabe, como as meninas que acham normal alisar seu cabelo “ruim” e desdenham quem não faz o mesmo, meninas que são tão vítimas do racismo quanto as que percebem que nada disso é por acaso. e comentários com o do danilo gentili certamente mais atrapalham do que ajudam, fazendo mais gente achar que é tudo coincidência, porque somos todos humanos e, portanto iguais. sim, danilo gentili, somos biologicamente iguais, mas essa constatação nunca impediu que diferentes tratamentos fossem dispensados a pessoas com diferentes concentrações de melanina. e fingir que isso não acontece é hipocrisia, burrice e, sim, racismo.
ver o ótimo post da marjorie sobre o caso gentili, além dos links para outros posts sensacionais sobre racismo.
desce a progressiva
cara, se as pessoas não gostam nem da taís araújo [clique em “ranking”] de cabelo cacheado, o que será de mim?
de leve
A destruição do passado - ou melhor, dos mecanismos sociais que vinculam nossa experiência pessoal à das gerações passadas - é um dos fenômenos mais característicos e lúgubres do final do século XX. Quase todos os jovens de hoje crescem numa espécie de presente contínuo, sem qualquer relação orgânica com o passado público da época em que vivem.
HOBSBAWM, Eric. Era dos extremos: o breve século XX, 1914-1991. São Paulo: Companhia das Letras, 2ª ed., 1995.
not a robot
acho que quando a gente não pensa muito no assunto, a vida até que é boa.
timoneiro
demorei para aceitar, mas o acaso, ao mesmo tempo em que não explica nada, é a melhor explicação possível. ficar procurando um nexo para tudo o que acontece é inútil: mesmo que esse nexo exista, será que a gente tem capacidade para entendê-lo? a vida não é como um seriado, em que um episódio existe para explicar o que ficou obscuro no anterior. a vida tem uma sequência, sim, mas não necessariamente uma que faça sentido. nós fazemos o que fazemos e, a partir de um certo momento, nossas ações fogem ao nosso controle, não têm mais volta, não têm mais dono1. difícil aceitar que nossa vida não nos pertence, né?
1 como já diria hannah arendt.
eu sei
não vai mudar
promessas nem rezas
não vai voltar
o tempo, os diasfecha os olhos pra ter a sensação
aquela tarde não é mais nãonão adianta
vizinhos, polícia
não vai voltar
o tempo, os diasem que tudo ainda estava no lugar
abra os braços, abrace o que sobrar.[os paralamas do sucesso - não adianta]
microscópio
isso aqui está quase um tribunal de nanocausas.
go back
não consigo ser firme nas decisões que tomo, este é o problema. sei de muita gente indecisa que começa as coisas e as deixa pelo caminho. eu sofro de outro tipo de indecisão, a indecisão arrependida: faço uma escolha e sigo com ela, mas nunca consigo sinceramente deixar de pensar que a escolha que eu deixei de fazer teria sido muito melhor. eu tomo um caminho, mas continuo querendo abraçar o mundo, ao mesmo tempo em que torno mais remotas a chance de isso vir a acontecer. claro, todos nós às vezes nos damos conta de que a vida está muito longe de ser o que planejávamos que fosse, mas eu tenho o agravante de sempre achar que nunca tem uma saída possível, que qualquer esforço de voltar ao plano original só piora a situação.
não tenho tempo a perder
só quero saber
do que pode dar certo.[titãs - go back]
combat, baby.
eu preciso gritar.
sem fantasia
minha vida, como a de todo mundo, ou quase todo mundo, tem sido uma sequência de frustrações, uma atrás da outra, uma por segundo. ainda estou tentando entender o motivo, mas a mais recente caída na real tem doído mais do que eu esperava. na verdade, tem sido torturante. acho que o problema é que, dessa vez, eu não consigo esperar que as coisas melhorem depois. em segredo (ou às vezes nem isso), eu sempre esperei um milagre. parecia que as coisas que eu fazia no fundo não eram nada, porque magicamente tudo iria se acertar no futuro. só que o futuro chegou, e chegou do avesso. todo errado. a minha confiança de que eventualmente tudo ficaria bem parece que ficou pelo caminho. não sei se é porque agora as coisas são reais demais ou ruins demais, mas como os métodos comuns e racionais têm se mostrado de pouca serventia, a perspectiva nula de que algo bom aconteça espontaneamente torna tudo mais difícil de aguentar.
sei lá. não sei se estou fazendo sentido. pensar no assunto não ajuda nada, quanto mais escrever sobre ele.
