todas as vezes que eu me perco pensando na vida ou conversando sobre ela, a pergunta que sempre fica na minha cabeça é: “qual a vantagem de ser eu?” (ou ainda “qual a desvantagem de não ser eu”). talvez seja simplista ou utilitário pensar nestes termos, mas é sempre aí que eu paro, porque não me ocorre nenhuma resposta, nunca.
é triste, eu sei, mas já faz tanto tempo que eu não me suporto que chega a parecer natural. tanto que me espantava a cada sinal de que as outras pessoas do mundo não eram todas como eu, não viam só defeitos em si mesmas. tanto que eu achava reconhecer uma qualidade própria só podia ser convencimento, falta de humildade. na minha cabeça, esse reconhecimento nunca poderia ser uma mera constatação.
em 15/07/2008:
todas as reclamações, os rodeios, as tentativas de aprender a tocar um instrumento, os (poucos, é verdade) cortes de cabelo, os hábitos mais saudáveis, as roupas mais/menos justas, as músicas mais estranhas, tudo se resume a uma única coisa que eu já estou careca de saber e que foi sempre assim, desde que eu me lembro. é uma sensação que fica ao mesmo tempo mais embaraçosa e mais intensa conforme passam os anos.
quero ser outra pessoa. não considero realmente que mudanças em mim possam dar resultados satisfatórios, por mais que eu diga isso. eu queria outra vida. não a minha vida diferente, a vida de outra pessoa.
e agora, doutor?
acho que dar um tempo nesse blog já seria um começo.
quanto mais eu sonho com o mundo, mais finco raízes na periferia. parece que a única função de fazer planos é vê-los frustrados tempos depois. eu acreditava ser especialista no meu próprio desânimo, mas ele chegou em um nível que nunca vi antes. perdi a paciência para fazer esforços inúteis e agora só quero saber de ceder ao peso das minhas pálpebras, o tempo todo. o impulso de manter os olhos fechados, metafórica e fisicamente, tem sido cada vez mais difícil de combater.
nunca precisei tanto de uma mudança de ares como agora, mas acho que vou continuar vendo o mundo só pelo google maps mesmo.
xampu hoje em dia é um barato, né? faz de tudo pelo cabelo! hidrata, alisa, enrola, define, tinge, conserva a cor, tira a cor, dá brilho, reconstrói, conserva a química, recupera, ajuda a crescer…
quando é que vão inventar um que sirva para limpar o cabelo?