24.05.09

q

da folha online:

Em sua página no Twitter, o governador de São Paulo José Serra publicou, na última quarta-feira: “Madrugada de trabalho ao som dos Beatles. Lembrei da boa versão de ‘Across the Universe’, de Rufus Wainwright. Ouvi na peça ‘Liz’, dos Satyros”.

1. o serra tem um twitter.
2. e sabe quem é rufus wainwright.

mais uma vez, me faltam palavras.

03.05.09

virada de quê?

fui à virada cultural ontem e achei melhor do que ano passado. as atrações, no geral, não eram tão interessantes quanto as do ano anterior, mas em compensação (e talvez justamente por isso) os palcos estavam menos cheios e a circulação estava mais fácil do que ano passado, quando era muito difícil andar de um show a outro ou mesmo mudar de posição durante um show. de resto, as coisas de sempre: gente bêbada, sujeira e tudo mais (ainda mais porque esse ano tinha um palco chamado “toca raul” - mais chamariz de maluco, impossível). coisas que são normais até certo ponto num evento desse porte, a meu ver. aí hoje me vem o feltrin dizendo que houve cenas de “escatologia e horror” durante a virada. peraí. eu não fiquei durante o evento todo (enquanto eu estou aqui ainda tem shows e exposições acontecendo pela cidade), mas duvido que o que quer que tenha acontecido justifique o uso desses termos e, independentemente disso, tenha sido diferente de qualquer outro evento cultural, pago ou não. sim, ainda há muito o que fazer em termos de estrutura e organização, mas acho louvável o esforço da prefeitura de continuar realizando a virada, com mudanças a cada ano. acho também que a virada cultural simboliza bem uma das coisas que eu gosto em são paulo, que é esse grande leque de coisas a se ver e fazer e de lugares a se visitar (que é o que eu mais gosto de fazer na virada: andar pela cidade à noite, vendo com outros olhos aquilo que a gente costuma deixar batido na correria dos outros dias). resumidamente, acho que a virada merece aplausos e deve continuar, mesmo com todos os problemas.

eis que na matéria da folha que eu linkei acima li os seguintes comentários:

[F]ica a sensação que 24 horas é muito para uma população “sem cultura” […].
(Clau Fer).

[I]nfelizmente, as cenas que eu vi me levaram a triste constatação de que SP não suporta eventos deste tipo. Digo até que pessoas como aquelas não merecem a oportunidade de participar de um evento desse tipo.
(juliana pires)

Enquanto as pessoas não souberem se comportar como humanos esse tipo de evento deveria ser cortado.
(Carolina Prazeres Goncalves de Castilho)

Uma pena que uma grande parcela do povo brasileiro não tenha a educação necessária para merecer um evento assim grandioso… É verdade que não se deve dar pérolas aos porcos…
(Linda Dias)

sério? sério MESMO? o problema da virada cultural é o “povo” (não a organização, o policiamento, etc…)? e a solução é não fazer o evento porque o “povo” NÃO MERECE? claro, é ridículo que todo ano a cidade vire um banheiro a céu aberto durante a virada, mas a solução é acabar com a virada? ou melhor ainda, deixar de fora os “mau educados” e só permitir que frequentem a virada os cultos, comportados e que, por um acaso, provavelmente poderiam pagar para ver esses shows e exposições em outros lugares, ao contrário dos “mau educados”, para quem a virada é uma oportunidade única (por mais que não aproveitada às vezes) nesse sentido? o buraco do vandalismo é muito mais embaixo e todo mundo sabe disso (aliás, a mesma prefeitura que organiza a virada me parece não tomar medidas reais pra resolver essas coisas), então não me venham com essa de que a culpa é dos vândalos e “ai que medo dessa gente, nunca mais vou à virada!”. o azar - e a hipocrisia classe-média - é de vocês.

10.04.09

oh, what a world…

continuando a série de posts musicais - melissa auf der maur e rufus wainwright são amigos de infância (!).

I’ve known rufus since before I had breasts, so I don’t know another life without Rufus. I’ve known him since we were both prepubescent, confused teenagers who fell in love with each other. And then he realized that he likes guys. Then we realized that we both liked the same guy. Poor Rufus, he was heartbroken by sweet Zebulon. Zebulon was the guy we loved, but he had no interest in either of us, neither the androgynous girl nor the androgynous guy.

(melissa auf der maur).

pena que o youtube não me deixa embedar (ahn?): rufus wainwright - april fools, com participação da auf der maur - além da gwen stefani e mais algumas pessoas - como atriz.

eternal life

mesmo no além, jeff buckley continua sagaz.

05.04.09

talk show host

g-zus, que vergonha do edgard entrevistando o thom yorke e o ed o’brien do radiohead sem conseguir disfarçar o óbvio interesse mais pelo primeiro do que pelo segundo. aliás, eu gosto muito do edgard, mas ele entrevistando artistas estrangeiros sempre me dá uma certa aflição.
e o thom yorke dando risada me inspira sentimentos contraditórios: ao mesmo tempo que eu acho super legal, considerando que ele é/parece/soa super depressivo, a cara dele me dá meda (talvez por isso mesmo ele não costume sorrir em público).

25.12.08

roberto carlos e a modernidade

de uns anos para cá, peguei o costume de assistir aos especiais de fim do ano do roberto carlos - ou bob charles, como carinhosamente o chamo - na tevê. é mais ou menos sempre a mesma coisa: começa com emoções, termina com jesus cristo e passa por como é grande o meu amor por você, tem participação de alguém desinteressante ou que está fazendo sucesso no momento, bob charles de terno azul cantando “se o bem e o bem existem, você pode escolher” (lógica? serve para nada, minha gente), tudo isso enquanto sua mãe/tia/avó/vizinha canta junto e come panetone ao mesmo tempo, etc.
este ano a coisa foi levemtente diferente sem mudar a velha fórmula, para evitar emoções mais fortes nos corações das mocinhas da terceira idade. citei especificamente aquele trecho de é preciso saber viver porque uma das coisas diferentes neste especial foi que, pela primeira vez em uns duzentos anos, bob charles cantou o verso do jeito certo. claro, não abriu mão de algumas velhas alterações, como “pode até ficar maluco ou viver na solidão”, além de todas as mudanças em além do horizonte (aqui cantada com a letra original no especial de 1982). acho que existe a possibilidade de vê-lo cantando quero que vá tudo pro inferno, deve levar só mais cinco ou dez anos… além das de sempre, entraram esse ano um clássico da pornomusic brasileira, o côncavo e o convexo, além de mulher pequena, uma música da série dedicada às excluídas, que tinha ainda a música das gordinhas e das que usam óculos (juntando as três dá uns 80% da população feminina brasileira, na certa).
os convidados foram rita lee e sua trupe/família, zezé di camargo e luciano, caetano veloso e neguinho da beija-flor. tirando a participação dos filhos de francisco, que achei bem fraquinha (não porque eu não gosto deles, mas porque as músicas/arranjos escolhidos foram bem chatinhos), achei tudo bem legal. a rita lee é aquela coisa insana que a gente já conhece e aprendeu a amar. pena que o tanto de recurso digital que precisou para deixar a voz dela nos trinques me fez lembrar das músicas (?) da cher, mas isso é café pequeno. com o caetano, cantou tom jobim, obviamente. a audácia de verdade (lembrando que estamos falando de roberto carlos) ficou mesmo no samba com o neguinho da beija-flor e a bateria da escola, todos claramente emocionados. para mim, o ponto alto (que durou uns 30 segundos) foi robertão cantando uma música do caymmi que eu adoro, rosa morena (no vídeo, uma versão zecabaleirística). não esperava mesmo.
acho o bob charles um personagem muito interessante (depois que eu li a proibidona, que é bem mais baba-ovo do que eu esperava, passei a achar ainda mais) da música brasileira e, independentemente de gostos pessoais, com certeza já entrou para a história, tanto como compositor quanto como cantor. de repente ele está entrando em uma nova fase, vai saber. foi a impressão que eu tive, pelo menos (voltem aqui depois do especial do ano que vem para ver se meu lado walter mercado tem futuro). de qualquer jeito, foi o melhor especial desde que eu comecei a assistir por vontade própria.

p.s. radiohead oficialmente me aguarda em março \o/

07.12.08

forever young

tão estranho e tão legal ver o tom hanks envelhecendo…

20.11.08

dia da consciência negra

demorei muito tempo para entender o que significa ser uma mulher negra no brasil e mais ainda para me ver nessa posição. tenho muito a aprender/entender/aceitar ainda, claro. minha conquista mais recente foi aprender a não negar, ignorar, ou mesmo fingir que não faz diferença, porque faz. muita diferença, diferença brutal. só continuo achando errado levantar bandeiras do jeito que se faz, incitando mais ainda o preconceito. sim, sou negra, brasileira e isso implica em um monte de coisas, muitas delas negativas e revoltantes. pretendo fazer o que estiver ao meu alcance para mudar isso, para lutar por uma igualdade que é de direito (bom, há controvérsias) mas não de fato, mas meu objetivo e meu sonho é que, sem que isso seja usado como desculpa para injustiça, possamos ser humanos e iguais de fato e que o resto seja detalhe.

e viva nossa democracia racial que ainda chama cabelo crespo de cabelo ruim…

30.09.08

sobre a imparcialidade

retirado do blog da folha campanha no ar:

Maluf e Soninha voltam a duelar na Record
da Folha

Como já havia acontecido na Band, Paulo Maluf e Soninha duelaram no debate [ocorrido neste domingo], agora na Record (…). No segundo bloco, usou a acusação que ela fez, sobre vereadores de São Paulo votarem por dinheiro, para atacá-la, ao mesmo tempo em que elogiava Marta, Kassab e Serra.
E disparou: “Você foi eleita pelo PT e no meio do caminho saiu para o PPS”.
No terceiro bloco, Maluf foi questionado pela jornalista da emissora sobre os processos a que responde na Justiça. “Durante 41 anos de vida pública não tive uma condenação penal”, disse.
Soninha rebateu: “Incrível dizer que tem a vida limpa. Se não me engano, você não pode nem deixar o país”. E se atrapalhou no final, favorecendo o adversário: “Processo não pode ser confundido com condenação”.

Maluf agradeceu: “Obrigado pela defesa que fez”.

desde quando afirmar a diferença entre processo e condenação é “se atrapalhar”? é uma mera constatação, que de forma nenhuma favorece maluf (mesmo porque ninguém tem trocentos processos nas costas sem motivo).
além disso, a pessoa que escreveu o artigo escolheu ignorar que maluf se esquivou das perguntas feitas por soninha usando ataques que nada tinham a ver com a pergunta original [do tipo perguntar para soninha “e você que mudou de partido?” quando ela o indagava sobre suas associações com pitta e marta em diferentes eleições (”e você que rouba?”, perguntaria eu)] e não deu a devida atenção ao fato de que maluf violou as regras do debate ao mostrar a polêmica capa da revista época de 2001 em que aparece uma foto de soninha (entre outros) com a legenda “eu fumo maconha”.
quem ler esse artigo sem ter assistido ao debate tem material de sobra para pensar que a soninha foi estraçalhada pelo maluf. duvido que quem escreveu isso seja malufista, mas fica óbvio para mim que algo contra a soninha essa pessoa tem. e é por essas e outras que não há nada no mundo como ter instrumentos para formar sua própria opinião, ao invés de apenas tomar a opinião alheia como fato.

16.05.08

porque eu odeio a humanidade

depois das 21h você pode expor quem você quiser a situações degradantes.

23.04.08

espírito de porco

o bom do terremoto é que deu um tempo na isabella.

11.02.08

high five!

tá com uma cara muito mais saudável, pôs o dente que tava faltando e fez a rapa no grammy. é isso, wino!

edit: “i love to see her perform. we honestly wore that record out at home. my daughter loves that record and it’s a little unnerving when your two-year-old sings ‘rehab’ all day long. weird but true” (dave grohl)

15.11.07

o lula deveria aprender a ficar quieto às vezes. ignorâcia é a felicidade da oposição, meu filho. cadê seus assessores, aliás?

01.09.07

eis que eu apareço por aqui para fazer um elogio à globo, acreditem ou não.
alguém por lá teve a genial idéia de criar o som brasil (reaproveitando um nome que já foi usado à exaustão, mas…). a idéia básica da coisa é homenagear grandes nomes da música brasileira. são quatro artistas/bandas (quando o homenageado é vivo, o próprio é um deles) por especial, se revezando em músicas famosas do escolhido. ontem a homenagem foi ao raul seixas e alguém teve a sagacidade de convidar vanguart e móveis coloniais de acaju, que chutaram sérias bundas na música e no carisma (fora o fato surpreendente de serem duas bandas ditas alternativas aparecendo na toda-poderosa). no especial anterior, sobre noel rosa, tinha orquestra imperial e lucas santtana.
claro, nada é perfeito e eles sempre pisam na bola na escolha de algum dos convidados: no do noel rosa, estava lá a coitada da maria rita, apática e sem graça, nada memorável. no do raul, estava o idiota do lobão, se arriscando em agudos que ele obviamente não alcançava e sem inovar nos arranjos como fizeram as outras bandas (além das duas que eu já falei, tinha uma cantora chamada anna luisa, que não me impressionou muito, mas ainda assim era melhor que o lobo bobo). mas são tão boas a idéia e a execução que eu até relevo.

espero do fundo do meu coração que a globo mantenha esse programa na grade do ano que vem. oremos, irmãos.

28.07.07

meu pai é tão legal que sabe quem é o amarante e GOSTA dele.
sensacional, pai.

26.07.07

à deriva

nós somos de uma geração que vive (e tem medo) uma vida ética e emocionalmente à deriva, diz um livro que eu li faz um tempo e sobre o qual já falei aqui, sem citar o nome, acho [tirei o nome do livro porque estava atraindo gente do google e isso é sempre perigoso]. diz ele ainda que o constante risco a que estamos sujeitos - sendo que o autor parte dos riscos provocados pelo novo capitalismo, considerando que estes se difundem pelos demais aspectos da vida do indivíduo - faz com que nosso senso de caráter seja gradativamente corroído.
e tem mais! o autor declara que a sociedade moderna é caracterizada pela desregulamentação do tempo e do espaço, desregulamentação esta que é a causa de sua superficialidade. não há mais a importância do aprendizado - a trajetória só é vista a partir dos pontos de mudança, como trocas de emprego, por exemplo. o autor chega a declarar que o aprendizado obtido ao longo da vida tende a ser descartado pela sociedade, por significar um possível prejuízo à adaptabilidade das pessoas e grupos.
nessa chave, o autor fala de como as relações pessoas, em especial as familiares, ficam submetidas à lógica do trabalho - a coisa da velocidade das mudanças e tudo mais - mas não conseguem adaptar-se perfeitamente a ela, o que nos leva de volta à história da deriva. o homem precisa cada vez mais do trabalho e é oprimido por este [um pouco marxista demais pro meu gosto, se você quiser saber]. ele precisa se relacionar com os outros, mas a relação só sobrevive enquanto é superficial1.

ética e emocionalmente à deriva. isso não é forte demais? às vezes eu acho que os intelectuais e a mídia, de forma geral, subestimam as pessoas, tanto as do lado mais forte (ou seja, os patrões maus e exploradores) quanto as do lado mais fraco (nós, resumidamente). parece que o livre-arbítrio simplesmente deixa de existir, ou então que o todo, que é mais que a maldita soma das partes2, é realmente algo poderoso e opressor.
eu concordo (e vejo!) a maioria dessas coisas, mas tendo a achar que a constante troca de emprego das pessoas não é meramente imposta pelo capitalismo, que é mais um catalisador ou um ponto de partida, do meu ponto de vista. se as pessoas quisessem continuar ficando 40 anos no mesmo emprego ou casados com a mesma pessoa, ficariam. tanto que tem quem ainda fique.
fato é, o capitalismo poderia se desfazer em milhões de pedacinhos (que passe um anjo e diga amém) ou ficar muito tempo no mesmo emprego poderia voltar a ser normal, ainda assim a maioria das pessoas continuaria trocando de emprego em intervalos regulares. o que aconteceu3 é que o capitalismo favoreceu uma tendência que as pessoas já tinham, mas que antes não era bem vista como agora. depois que pular de galho em galho passou a ser tomado como demonstração de características (agora) desejáveis, como audácia, não-acomodação ou qualquer outra assim, geral começou a fazer o que sempre queria ter feito, que é se livrar que quaisquer raízes ou responsabilidades. para mim, isso é muito mais deliberado do que se costuma acreditar. as pessoas gostam de não ter compromissos ou de tê-los apenas a curto prazo, tenho certeza.
eu e os textos sem fim, viu…

1 ele fala isso sobre as relações de trabalho, mas acho que não há problema em dizer que esta regra vale para as relações sociais em geral - ao longo do livro, o autor parece dar indícios de que concorda com essa idéia.
2 coisa que a gente aprende no primeiro ano das ciências sociais e nunca mais deixa de ouvir nos anos seguintes, mas há controvérsias, como em tudo nessa vida. e o “maldita” é por minha conta.
3 é opinião. não tenho como provar. aliás, tudo isso é especulação, por isso a categoria se chama “sociologia de boteco” e não simplesmente “sociologia”.

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