25.10.09

cabelo

do racialicious:

Hair is political as much as it is an element of pop culture in Brazil. While many women opt to straighten their hair for the sake of manageability in the heat and humidity of some areas, there is also social pressure to straighten because curly hair, much like in the States, particularly if that curl pattern is tighter (Read: more “black”), is considered “messy” and “not professional.” Cabelo duro (a fairly perjorative term that means “hard hair,” aka “nappy”, in English) is considered plain ugly. Short hair, while increasing in popularity, is also sometimes considered too masculine for women, most of whom sport long hair (at least past their shoulders, but often longer), in addition to being seen as nonconformist in some regions. So you can imagine the impact of having a short afro or no hair at all.

01.09.09

a vida

lya falou bonito:

Só Deus sabe como tem sido difícil.
O não querer acordar, e quando for dormir, dar boas-vindas a tal insônia.
O querer se ocupar, pra poder esquecer e temer assim que sai da porta.
O querer afundar num abraço que raramente está disponível.
A semana não ser feita de sete dias, mas de sete guerras.
E que quando acabar, que não seja um trauma vencido, mas uma lição aprendida.

19.07.09

de leve

A destruição do passado - ou melhor, dos mecanismos sociais que vinculam nossa experiência pessoal à das gerações passadas - é um dos fenômenos mais característicos e lúgubres do final do século XX. Quase todos os jovens de hoje crescem numa espécie de presente contínuo, sem qualquer relação orgânica com o passado público da época em que vivem.

HOBSBAWM, Eric. Era dos extremos: o breve século XX, 1914-1991. São Paulo: Companhia das Letras, 2ª ed., 1995.

26.10.08

A verdade é que todos nós precisamos de entretenimento e diversão de alguma forma, visto que somos sujeitos ao grande ciclo vital, e não passa de pura hipocrisia ou esnobismo social negar que possamos nos divertir e entreter exatamente com as mesmas coisas que divertem e entretêm as massas de nossos semelhantes.

ARENDT, Hannah. “A crise na cultura: sua importância social e política” in: Entre o passado e o futuro. São Paulo: Ed. Perspectiva, 2007.

13.06.08

do subterrâneo

(…) [C]oncluímos que os livros de Graciliano Ramos se concatenam num sistema literário pessimista. Meninos, rapazes, homens, mulheres; pobres, ricos, miseráveis; inteligentes, cultos, ignorantes - todos obedecem a uma fatalidade cega e má. Vontade obscura de viver, mais forte nuns que noutros, que os leva a caminhos pré-traçados pelo peso do meio social, físico, doméstico. A vida é um mecanismo de negaças em que procuramos atenuar o peso inevitável dessas fatalidades: e parecemos ridículos, maus, inconseqüentes. Às vezes somos fortes e pensamos esmagar a vida; na realidade, esmagamos apenas os outros homens e acabamos esmagados por ela. Nada tem sentido, porque no fundo de tudo há uma semente corruptora, que contamina os atos e os desvirtua em meras aparências.

CANDIDO, Antonio. “Ficção e confissão” in Ficção e Confissão - Ensaios sobre Graciliano Ramos. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1992.

por essas e outras que Graciliano é minha alma gêmea. merece até a letra maiúscula.

[quem sabe agora eu comece a postar as referências completas das citações…]

15.02.08

livros, 2008

saldo de livros lidos nas férias/início de ano: 4
nietóchka niezvânova (fiódor dostoiévski)
a confissão de um filho do século (alfred de musset)
o poder e a glória (graham greene)
o eterno marido (fiódor dostoiévski)

saldo de livros abandonados/não terminados nas férias: 5
sociedade dos indivíduos (norbert elias)
estou lendo, devagar e sempre.

o amor nos tempos do cólera (gabriel garcía márquez)
parei na metade, termino um dia.

a indústrial cultural: a agonia de um conceito (paulo puterman)
li só o que me convinha.

sociologia da arte, iv (gilberto velho (org.))
idem.

grandes cientista sociais (coletânea) (theodor w. adorno)
a birra que eu tô pegando dele é quase maior que a que eu tenho do marx. mas já que quem se interessa por sociologia da cultura “tem” que ler (pfft), fazer o quê…

livros que tenho a intenção de ler ainda esse semestre: 2
o mistério do samba (hermano vianna)
filosofia da nova música (theodor w. adorno)

07.01.08

jealousy rides with me

é um mistério como os problemas, reais ou inventados (estou particularmente interessada nestes últimos), surgem na minha cabeça. é tão imprevisível e tão avassalador que o ideal é me deixar ser atropelada pela onda de idiotice e só depois tentar organizar racionalmente as idéias, o que nunca dá muito certo. e dá-lhe noites em claro, unhas roídas, falas dramáticas e todo tipo de comportamento de gente surtada. dói, meus caros, dói…

[P]areceu-me sentir em mim um novo ser e uma espécie de desconhecido; minha razão revoltava-se contra o que experimentava, e eu não ousava pensar aonde tudo isso iria levar me (…). Assim falava o ciúme (…). Assim, como todos os que duvidam, eu já punha de lado os sentimentos e os pensamentos para discutir apenas os fatos, aferrar-me ao que já passara e dissecar o que amava.

MUSSET, Alfred. A Confissão de Um Filho do Século

06.01.08

the color purple

shug: more than anything, god love admiration.
celie: you saying god is vain?
shug: no, not vain, just wanting to share a good thing. i think it pisses god off when you walk by the color purple in a field and don’t notice it.
celie: you saying it just wanna be loved like it say in the bible?
shug: yeah, celie. everything wanna be loved. us sing and dance, and holler just wanting to be loved. look at them trees. notice how the trees do everything people do to get attention… except walk?

26.07.07

à deriva

nós somos de uma geração que vive (e tem medo) uma vida ética e emocionalmente à deriva, diz um livro que eu li faz um tempo e sobre o qual já falei aqui, sem citar o nome, acho [tirei o nome do livro porque estava atraindo gente do google e isso é sempre perigoso]. diz ele ainda que o constante risco a que estamos sujeitos - sendo que o autor parte dos riscos provocados pelo novo capitalismo, considerando que estes se difundem pelos demais aspectos da vida do indivíduo - faz com que nosso senso de caráter seja gradativamente corroído.
e tem mais! o autor declara que a sociedade moderna é caracterizada pela desregulamentação do tempo e do espaço, desregulamentação esta que é a causa de sua superficialidade. não há mais a importância do aprendizado - a trajetória só é vista a partir dos pontos de mudança, como trocas de emprego, por exemplo. o autor chega a declarar que o aprendizado obtido ao longo da vida tende a ser descartado pela sociedade, por significar um possível prejuízo à adaptabilidade das pessoas e grupos.
nessa chave, o autor fala de como as relações pessoas, em especial as familiares, ficam submetidas à lógica do trabalho - a coisa da velocidade das mudanças e tudo mais - mas não conseguem adaptar-se perfeitamente a ela, o que nos leva de volta à história da deriva. o homem precisa cada vez mais do trabalho e é oprimido por este [um pouco marxista demais pro meu gosto, se você quiser saber]. ele precisa se relacionar com os outros, mas a relação só sobrevive enquanto é superficial1.

ética e emocionalmente à deriva. isso não é forte demais? às vezes eu acho que os intelectuais e a mídia, de forma geral, subestimam as pessoas, tanto as do lado mais forte (ou seja, os patrões maus e exploradores) quanto as do lado mais fraco (nós, resumidamente). parece que o livre-arbítrio simplesmente deixa de existir, ou então que o todo, que é mais que a maldita soma das partes2, é realmente algo poderoso e opressor.
eu concordo (e vejo!) a maioria dessas coisas, mas tendo a achar que a constante troca de emprego das pessoas não é meramente imposta pelo capitalismo, que é mais um catalisador ou um ponto de partida, do meu ponto de vista. se as pessoas quisessem continuar ficando 40 anos no mesmo emprego ou casados com a mesma pessoa, ficariam. tanto que tem quem ainda fique.
fato é, o capitalismo poderia se desfazer em milhões de pedacinhos (que passe um anjo e diga amém) ou ficar muito tempo no mesmo emprego poderia voltar a ser normal, ainda assim a maioria das pessoas continuaria trocando de emprego em intervalos regulares. o que aconteceu3 é que o capitalismo favoreceu uma tendência que as pessoas já tinham, mas que antes não era bem vista como agora. depois que pular de galho em galho passou a ser tomado como demonstração de características (agora) desejáveis, como audácia, não-acomodação ou qualquer outra assim, geral começou a fazer o que sempre queria ter feito, que é se livrar que quaisquer raízes ou responsabilidades. para mim, isso é muito mais deliberado do que se costuma acreditar. as pessoas gostam de não ter compromissos ou de tê-los apenas a curto prazo, tenho certeza.
eu e os textos sem fim, viu…

1 ele fala isso sobre as relações de trabalho, mas acho que não há problema em dizer que esta regra vale para as relações sociais em geral - ao longo do livro, o autor parece dar indícios de que concorda com essa idéia.
2 coisa que a gente aprende no primeiro ano das ciências sociais e nunca mais deixa de ouvir nos anos seguintes, mas há controvérsias, como em tudo nessa vida. e o “maldita” é por minha conta.
3 é opinião. não tenho como provar. aliás, tudo isso é especulação, por isso a categoria se chama “sociologia de boteco” e não simplesmente “sociologia”.

05.07.07

grey gardens

edie: i missed out on everything (…). i don’t know. i think it would have been a lot of fun.
mrs. beale: yeah, everything’s good that you didn’t do. at the time, you didn’t want it. you can’t go back and say “oh, why didn’t i do this?'’. because you didn’t feel then the way you do now. everybody thinks and feels differently as the years go by, don’t they?

20.02.07

num avião ou num trem veloz

sempre com a cabeça em um tempo e em um espaço que dificilmente são aqui e agora.

***
faz tempo que eu estou tentando me dar crédito: talvez eu seja uma pessoa interessante, talvez me dê bem na carreira (talvez até tenha escolhido a carreira certa, olha só), talvez tenha talento para alguma coisa, talvez consiga enfrentar alguns dos meus monstros, talvez não morra sempre na praia. esse bando de coisas faria perfeito sentido se eu conseguisse ser racional por mais de um minuto, mas aparentemente meu cérebro nasceu sem essa função.
***
o cálculo das probabilidades é, de fato, uma pilhéria1.
não sei porque eu (e não apenas eu, sei bem) me aflijo tanto com as possibilidades de algo acontecer ou não acontecer, de dar certo ou não. o grande problema é a aflição por coisas que podem não acontecer nunca ou por aquelas que inevitavelmente vão acontecer. ou pior ainda, por aquelas que são imprevisíveis e ponto. para o bem ou para o mal, não tem como pôr a vida em uma planilha e analisar os prospectos.
reflexo da falta que anda fazendo a capacidade de arriscar. uma pena, se você quiser saber o que eu acho.
***
não sei o motivo, mas esse ano deu vontade de ir a um baile de carnaval. se eu soubesse onde achar um…
***
fato: preciso de companhia antes que eu entre naquele ciclo infernal de novo (é só uma questão de tempo).
***
não prezo mesmo pelo bom uso de este/esse e similares.

1 referência ao poema “não sei dançar”, do livro libertinagem de manuel bandeira.
o título do post, por sua vez, é uma referência à música oh, what a world, de rufus wainwright.

31.01.07

les invasions barbares

rémy: ainda não posso aceitar isso.
nathalie: você sabe que tem que aceitar.
rémy: não posso aceitar.
nathalie: mas é assim. é uma lei. no mesmo instante em que você fechar seus olhos, milhões também morrerão.
rémy: mas não estarei mais aqui. eu. eu terei ido para sempre. se pelo menos eu tivesse aprendido alguma coisa. me sinto como abandonado no dia em que nasci. não encontrei sentido algum. é isso. tenho que procurar. e tenho que continuar procurando.

27.01.07

insustentável

“A vertigem não é o medo de cair (…). É a voz do vazio embaixo de nós, que nos atrai e nos envolve, é o desejo da queda do qual logo nos defendemos aterrorizados (…). É a embriaguez causada pela nossa própria fraqueza.”

KUNDERA, Milan. A Insustentável Leveza do Ser.

22.01.07

subsolo

“I swear, gentlemen, that to be too conscious is an illness — a real thorough-going illness.”

DOSTOIEVSKI, Fiodor. Notes From The Underground.

também conhecido como memórias do subsolo. em inglês a citação me parece mais legal, não sei.

sobre:
carol, 23.
i'm a breather, mail receiver,
bottom feader, just getting by.

carol arroba mail.nu

antes de ler qualquer coisa, leia isto.

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