hoje me caiu a ficha de que livin’ la vida loca. foi lançada há dez anos. DEZ ANOS. ainda bem que eu pareço ter 14 anos, no máximo.
falando em coisas e pessoas velhas,
forever young

tão estranho e tão legal ver o tom hanks envelhecendo…
cadê teu suín-?

velhos tempos…
sem dúvida
aí que um dia - eu ainda estava no ensino médio -, numa daquelas minhas idas solitárias ao cinema do shopping em dia de semana, passei por uma loja de cds e, sendo eu quem sou, entrei. sendo eu quem sou ao quadrado, fui direto na gôndola dos cds por menos de dez contos e comecei minha fuçação (?) usual. tinha lá um cd do no doubt, o return of saturn, por uns oito reais. tinha uma música que eu ouvia bastante no rádio no fim do ginásio/fundamental, ex-girlfriend. eu nem gostava tanto assim de no doubt (don’t speak já tinha me enjoado o suficiente), mas, por causa da música, acabei levando o cd.
no fim das contas, ele me acompanhou até a formatura do colégio: tocava enquanto eu lia mangá. tocava enquanto eu estudava matemática. tocava quando estava frio, tocava quando estava calor. quando eu estava de tpm. tocava quando eu estava ouvindo e quanto eu não estava*. achava estranho a obsessão da moça com casamento, mas va lá, ela estava falando do gavin rossdale, quando ele ainda era bonito. fora que a vida dela parecia bem mais emocionante que a minha - porra, ela tinha cabelo rosa! muito para a cabeça de uma tontinha de 15 anos que tinha dificuldades para convidar o carinha de quem era a fim para tomar um sorvete na esquina do colégio.
eu continuava não gostando muito de no doubt e achando que aqueles skazinhos que eles tocavam em 1997 eram melhores que as tais músicas sobre casamento. mas nada me fazia largar daquelas 15 faixas (ok, 14, tinha uma que eu sempre pulava). peguei o cd para ouvir agora, depois de um bom tempo, porque li em algum lugar que a gwen acabou de vez com aquela carreira solo dela (que tem lá seus momentos divertidos, mas são coisas que eu esperaria da britney spears, não da gwen stefani) e o no doubt vai voltar. quem sabe quando o cd estiver lá na gôndola de dez pilas eu compre…
o mais legal é que no disco tem uma meta-música, que diz justamente o que eu sinto toda vez que ouço esse disco que, apesar de ser a trilha sonora de uma fase meio furreca da vida, costuma trazer um saudosismo bom:
don’t let it go away,
this feeling has got to stay.[no doubt - new]
acho que dá para perceber que a minha relação com a música é mais afetiva do que qualquer outra coisa, né?
* claro que isso não acontecia só com esse disco, mas ele realmente era uma bom som de fundo.
certinho?
(esclarencendo: muitas letras de música postadas significam que eu tenho algo a dizer, mas não sei como fazê-lo)
de quando eu era muito fã de los hermanos e de quando um “oi, tudo bem?” era tudo o que eu tinha.
eu descobri um mundo teu e ele é manso
sem perceber tive paz e só me dei conta
quando eu te vi e perguntei como é que vai você:
- tudo bem?falta entender o que me faz pensar
que só ela pode ter tanta paz pra me dar
e ninguém mais tem tanta paz
eu te vi e cheguei pra falar:
- certinho?quando eu te vi eu perguntei
- como é que vai você?
[los hermanos - onze dias]
em 31/12/03
é. eu achava que fosse jovem, mas o tempo passa tão rápido que eu já me sinto velha. eu me vejo velha, na verdade. isso fica mais claro quando me confronto com a vida de pessoas que costumavam ser tão próximas a mim e sinto que não as conheço mais. ou melhor, não as reconheço mais. é engraçado como as vidas das pessoas tomam rumos tão distintos… nós éramos parecidos, tínhamos ideais em comum. parece que foi ontem… onde foi parar isso? onde a gente se separou? é triste, mas assim é a vida: os anos passam, as pessoas seguem em frente, e algumas coisas têm de ser deixadas pra trás. acontece.
link para o meu último blog antes desse (onde estava esse post aí), só pela diversão.
socialmente aceitável
eu gostava tanto desse site…
em 14/09/02
você constrói seu castelinho. do modo mais trabalhoso, prestando muita atenção a cada detalhe, a cada tijolinho, ao tamanho de cada cômodo, não deixa passar imperfeição nenhuma. nenhuma. ao final da obra, você vê o resultado: ele, o (única e exclusivamente) seu castelo, é lindo, cor-de-rosa, confortável e aconchegante. lá dentro, sente-se incrivelmente segura e feliz, como nunca poderia sentir-se “lá fora”. e estava tudo bem - na verdade, não estava tão bem assim. você sabia que as coisas “lá fora” não estavam bem. dentro do castelinho cor-de-rosa você é importante, você é única, você vale algo, enquanto lá fora é só mais uma, ou nem isso. não tem nada que te faça especial fora do castelo, mas lá dentro você reina absoluta. por esse motivo, você prefere se enganar e crer que pode passar a vida toda no dito castelinho, já que lá a vida pode não ser verdadeiramente bela, mas é uma ilusão muito bem preparada. mas não pode fazê-lo, não pode ficar lá dentro pra sempre, você vai ter que enfrentar a vida “lá fora” um dia, afinal o castelinho pode até ter tudo o que você queria ter, mas não tem tudo o que você necessita. um belo dia chega alguém e te diz que é hora de sair do castelinho e se virar “lá fora”. porque, quando você é criança, se enfurnar no tal castelinho é sinal de criatividade, de genialidade, algo assim. quando você cresce, isso muda de nome: escapismo, esquizofrenia.
moral da história? não tem. o que você pode tirar dessa história é, no máximo, um “não se pode ter tudo”.
rascunho #4:
na verdade, é mais um post velho que eu peguei de algum dos meus blogs perdidos. acho que é de 2002.
tá, acho que finalmente vou conseguir responder aquele seu post de milênios atrás. só agora me ocorreu uma ideiazinha mais ou menos coerente…
então né, eu empaquei. há algum tempo eu achava que talvez, um dia, por algum milagre, eu pudesse conseguir sair desse ciclo, deixar de ser inútil, etc., mas eu percebi que nem por milagre dá pra mudar. sabe? o que eu tenho, o que eu sou, o que eu sei fazer, só dá pra isso mesmo. aí eu vou acabar o colégio, vou fazer vestibular, vou passar, não vou passar.. e é isso. eu não vou em frente, só vou seguir o curso natural das coisas. aí com não sei quantos anos vou perceber que minha vida toda passou em vão, e que talvez não tenha sido culpa minha. mas provavelmente terá sido. e todo aquele esforço pra parecer normal também não vai servir de nada, como tudo o que eu costumo fazer (ou não fazer). eu até tento me convencer “ah, não é tão ruim assim, você não é assim tão ruim”, mas não é mais simples aceitar a verdade e desistir logo? o castelinho* está lá me esperando… só falta o golpe de misericórdia pra eu ir logo pra lá…. e eu não faço a mínima idéia de quem ou o que vai dar o golpe final… é esperar. e pronto.
* o castelinho, ou ainda castelinho cor-de-rosa era a metáfora que eu gostava de usar para dizer que só vivia dentro da minha cabeça e olhe lá. ridículo, mas eu tinha 16 anos e não tem nada mais ridículo do que ter 16 anos.
recordar é viver, edição especial
ó, nem revisei, para variar.
como eu já disse, desde que me dou por gente na internet, eu tenho blogs, diários e afins. hoje eu encontrei dois que eu usava mais ou menos na mesma época, meio de 2002. se a vergonha alheia (alheia porque aquela garota não sou eu, claro) não fosse gigante, eu até colocava o link aqui. talvez depois eu pegue alguma coisa de lá e ponha aqui, mas acho que faz muito mais sentido para mim do que para os outros ver aquelas coisas que eu deixei lá. se tem uma coisa que mudou de lá para cá é que, talvez porque as coisas fossem menos complicadas, eu tinha muito mais noção do que eu estava sentindo e não me confundia tanto quando agora.
e tinha também um blog meu com uma amiga. era o meu preferido, uma espécie de símbolo da nossa amizade, por mais brega que isso pareça. ironicamente, o blog fechou quando a amizade começava a ir ladeira abaixo. amizade que nunca voltou a ser a mesma, aliás (é provavelmente a amizade que eu mais lamento ter perdido, ou que mais lamento que tenha virado só mais uma).
então, entrando nesse último blog achei meu post preferido - do tempo em que eu ainda gostava das coisas que eu fazia e via as coisas chatas com algum bom humor. meados de 2003:
texto mais ou menos sem sentido
hoje o dia foi mais ou menos legal. aconteceram coisas mais ou menos chatas, mas no fundo tudo correu mais ou menos bem. falei com pessoas que eu mais ou menos gosto, evitei as que eu mais ou menos odeio, mas no fundo só fiz coisas mais ou menos inúteis. saí da escola mais ou menos decepcionada, porque eu percebi que sou mais ou menos nada, e represento mais ou menos isso para os outros (mais pra menos do que pra mais). sabe como é, só sirvo pra ser coadjuvante (e olhe lá!) de mais ou menos todo mundo, mais ou menos o tempo todo. aí, eu e minha auto-estima percebemos que eu sou mais ou menos bizarra, mais ou menos desinteressante, mais ou menos tediosa (além de mais ou menos gorda e mais ou menos feia), e isso explica mais ou menos a minha vocação pra zero à esquerda. nessa hora eu fiquei mais ou menos chateada. minha mãe viu a minha cara de mais ou menos quando eu cheguei em casa e perguntou o que eu tinha. eu respondi que não era nada, mas deu pra perceber que era mais ou menos mentira. aí eu jantei e refiz o logo (que já deve estar no seu e-mail) da nossa empresa mais ou menos tosca.
fora que estão começando a me convencer que eu sou mais ou menos fresca e que esse desânimo + depressão + sei lá o que é mais ou menos besteira minha, pra tentar chamar atenção, sei lá (lembra aquele negócio de até fazer uma idéia sobre o que é que me incomoda mas não poder dizer ou não saber como? então, é aí que as pessoas me pegam, já que eu não posso “estar assim sem um bom motivo” - blah, nem foram essas as palavras -, essa história de depressão só pode ser mentira… logo, eu sou uma farsa! ha! me descobriram - *ironia*)1. isso me deixou mais ou menos sem chão, já que eu sempre tive mais ou menos certeza do que se passa comigo.
é chato ver que todos já estão mais ou menos encaminhados, que têm mais ou menos certeza do que querem ou deixam de querer, que estão mais ou menos avançando ou regredindo, quando eu sei que eu estou mais ou menos estagnada assim. não posso ser nem mais, nem menos e isso está me deixando totalmente agoniada, já que tudo o que eu faço pra tentar mudar serve pra mais ou menos nada, e no fim é só mais uma derrota pra minha vasta coleção.mas tudo bem, agora eu tenho mais ou menos certeza que vou ver uma das minhas (duas) bandas mais ou menos favoritas2 (a sua vaga lá também está mais ou menos garantida) na segunda. êêê. e aposto dois dinheiros americanos (olhe só minha confiança!) que esse texto foi não mais ou menos, mas muito irritante de ser lido!!
. . .
minha vida é mais ou menos isso.
colaria outros mil posts aqui. foi uma época bem bosta da vida, mas eu gosto de ver que consegui sobreviver. eu não era tão ruim assim em 2003. será que é um passo para eu começar a achar que eu não sou tão ruim assim agora?
1 que eu me lembre, quem me disse que eu não podia estar triste sem motivo foi o cara que eu gostava na época. não tenho certeza.
2 a banda era paralamas. e nós fomos mesmo.
recordar é viver, pt. 2
diretamente de 18/04/06.
a timidez me ensinou a ser sucinta, e eu não gosto mais disso.
sempre fui muito cuidadosa, sempre tentei falar o máximo possível, usando o mínimo de palavras (o que talvez explique porque eu morro de amores pelo graciliano), fugindo de ambigüidades como o diabo da cruz. tinha medo de morrer de vergonha caso deixasse escapar alguma coisa que não tivesse sido meticulosamente pensada antes de ser dita.
antes era bom, mas hoje não presta pra nada. só falar depois de remoer quinhentas vezes todas as palavras faz as pessoas acharem que eu sou assim - direta, simples, sem duplo sentido. e isso é tudo, menos eu. eu digo que não gosto, mas talvez eu goste. eu digo que quero, mas talvez não queira. eu queria saber como faço pra que as pessoas não levem tudo o que eu digo ao pé da letra.
recordar é viver
dos idos de 2002:
(…) eu não gosto de ficar em casa sozinha tanto quanto eu achava que gostasse. ultimamente eu tenho adotado essa postura do “antes mal acompanhada do que só”, ando com um medo ridículo de ficar sozinha, porque eu sei que a pessoa que eu mais gosto não vai estar lá quando eu precisar. move on!
aí quando eu digo que não evoluí, que continuo tendo 12 anos, as pessoas acham que é excesso de modéstia. isso aí era 2002. agora é 2007 e não mudou nem uma vírgula. só não consigo lembrar quem era a tal pessoa que eu mais gostava, mas isso é o de menos.
e esse só porque eu achei engraçado:
(…) aaah, vou explicar esse post idiota: é culpa de uma tal teoria da formulação criativa. é mais ou menos assim: quando você diz/pensa nas coisas (conscientemente), seu inconsciente acredita e incorpora. ou seja, se você é pessimista como eu e fica repetindo o dia inteiro que nada dá certo, que sua vida é uma merda, por mais que sua vida seja boa, seu inconsciente vai acreditar, e vai se acostumar a só ver o lado ruim das coisas. basicamente é isso. e a karina, pra ver se meu inconsciente acredita que eu tenho auto-estima (hohoho) me manda ficar repetindo “eu sou inteligente, eu sou importante, bla bla bla”. por isso eu vim aqui pra postar que, mesmo o dia tendo sido péssimo como um todo, alguma coisa boa teve. afinal, eu sou legal, normal e importante.
ler arquivos dos blogs velhos é muito instrutivo!
